8 de dezembro de 2022


“Deveríamos liquidar jornalistas”, diz Milos Zeman


15/05/2017


O presidente da República Checa Milos Zeman e o presidente da Rússia Vladimir Putin (Foto: Reprodução)

O presidente da República Checa Milos Zeman está sendo fortemente criticado, até pelo governo do seu país, por ter insinuado numa conversa com o presidente da Rússia Vladimir Putin que os jornalistas deviam ser “liquidados”. Esta conversa aconteceu em Pequim, na China, onde os líderes participam numa conferência.

Segundo o New York Times, os dois presidentes estavam a conversar e Zeman, após reparar que estavam muitos jornalistas presentes, disse em russo: “E aqui estão mais jornalistas? Há demasiados jornalistas”.

O jornal norte-americano refere que não foi possível ouvir bem a conversa inteira, mas garante que, a dado momento, Zeman falou da “necessidade de liquidar” jornalistas.

O jornal Russia Today reproduz a mesma conversa e diz que Zeman falou alto o suficiente para os microfones captarem as suas palavras. Segundo este jornal russo, Zeman disse: “há demasiados jornalistas. Devíamos liquidá-los”. Ao que Putin respondeu: “Talvez não liquidá-los, mas tornar alguns redundantes”, o que poderia significar despedi-los.

As declarações de Milos Zeman foram criticadas pelo primeiro-ministro da República Chega, pelos ministros da cultura e dos negócios estrangeiros e por um deputado checo do parlamento europeu.

“Tendo em conta o estado dos meios de comunicação na Rússia, a piada feita pelo presidente ganha outra dimensão”, disse Martin Kupka, vice-presidente do partido democrático da República Checa, citado pelo New York Times. “É algo muito sério e inapropriado”, continuou.

Como resposta, o gabinete do presidente checo disse que tudo não passava de uma piada. “Os jornalistas nunca entendem uma graça inteligente”, disse Jiri Ovcacek, porta-voz do presidente.

“Eu espero comentários embaraçosamente zangados e reações exasperadas de políticos que gostam de aconchegar-se com os média”, continuou o porta-voz, que acusa os críticos de inventarem uma controvérsia para fins políticos.

Na República Checa, os críticos falam da cada vez mais próxima e assustadora relação entre Zeman e Putin e relembram que os principais jornais e meios de comunicação estão nas mãos de poucos indivíduos, o que põe em causa a liberdade de imprensa.

Não é a primeira vez que o nome de Milos Zeman aparece ligado a polémicas deste género. O presidente disse uma vez que os vegetarianos e as pessoas que não bebem álcool deveriam ser mortos. Defendeu-se depois dizendo que se referia a Hitler, que não comia carne nem bebia álcool.

Noutra ocasião, o presidente checo disse que o Islão era a “religião da morte”.

Fonte: DN

 

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