Cinco mulheres que estão usando a ciência para salvar o planeta


12/02/2023


Por Marisa Adán Gil, em Época Negócios

Comemorado no dia 11 de fevereiro, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência reconhece a (muitas vezes subestimada) contribuição das mulheres nas áreas de ciência e tecnologia.

As pesquisas mostram que, apesar da escassez de talentos no mercado de trabalho, ainda existe um grande gap de gênero no setor. As mulheres ainda representam menos de um terço da força de trabalho nas áreas de ciência, tecnologia e engenharia. Além disso, as cientistas geralmente recebem bolsas para pesquisas menores do que seus colegas do sexo masculino, e seu trabalho tende a receber menos destaque nas publicações de prestígio.

Para estimular a mudança e chamar a atenção para a discriminação de gênero, a ONU destaca nesse dia os nomes de cinco mulheres que quebraram as barreiras de gênero e hoje usam a ciência para combater as mudanças climáticas, preservar a biodiversidade e reduzir a poluição e o desperdício. Todas foram vencedoras, pelo seus trabalhos, do prêmio Campeões da Terra, a mais alta honraria ambiental da ONU.

Nzambi Matee

Nzambi é uma engenheira, inventora e empreendedora. Fundadora da Gjenje Makers, no Quênia, ela se dedica a produzir materiais de construção sustentáveis e de baixo custo a partir de resíduos plásticos. Foi a própria Nzambi que criou o equipamento que transforma plástico em tijolos resistentes usados para pavimentar ruas, e também na decoração residencial. A empreendedora incentiva outras jovens a preservar o meio ambiente em suas comunidades. “O impacto negativo que estamos gerando é enorme. Comece com qualquer solução local que possa encontrar e seja persistente. Os resultados serão surpreendentes”, diz.

Purmina Devi Barman

A bióloga, especializada em vida selvagem, sempre foi fascinada pelas cegonhas gigantes, um tipo de pássaro típico do sul da Ásia. Depois de se formar em Zoologia, decidiu se dedicar à educação ambiental na cidade rural de Assam, na Índia. Mais tarde, para ajudar a conservar os pássaros que sempre amou (hoje são menos de 1.200 cegonhas gigantes em existência), Purmina fundou a Hargila Army, organização que reúne 10.000 mulheres empenhadas em proteger os ninhos das aves e cuidar de pássaros feridos.

Gladys Kalema-Zikusoka

Fundadora e CEO da Conservation Through Public Health, Gladys passou as três últimas décadas ajudando a preservar espécies primatas em extinção, como os gorilas de montanha na África Oriental. A maior parte do seu trabalho acontece em comunidades carentes ao redor de áreas protegidas. Ao criar oportunidades de trabalho e renda para seus habitantes, ela ganha fortes aliados na proteção dos animais em perigo. Reconhecida mundialmente por seu trabalho, a cientista acredita que deveria haver mais membros de pequenas comunidades atuando em questões ambientais. “Essas são as pessoas que vão decidir o futuro de suas comunidades e de seus países.”

Xiaoyuan Ren

Mais de 300 milhões de pessoas na China rural não têm acesso à água potável: Xiaoyuan queria mudar isso. Munida com seus cursos de Engenharia Ambiental e Tecnologia e Política do MIT, ela fundou a MyH2O. Trata-se de uma plataforma de dados que testa e registra a qualidade da água subterrânea em diferentes áreas da zona rural da China, com a ajuda de estudantes voluntários. Depois, ensina às pessoas das comunidades onde podem encontrar água limpa. Desde a fundação da empresa, em 2015, Xiaoyuan já garantiu água potável para dezenas de milhares de pessoas.

Katharine Hayhoe

Cientista de dados formada na Universidade de Tecnologia do Texas, Katharine produz modelos globais que medem o impacto das mudanças climáticas em diferentes regiões. De posse dessas informações, e com base em análise preditiva, ela elabora estratégias que podem ser colocadas em prática imediatamente. “A parte mais significativa do meu trabalho está em mudar a mente das pessoas. Quando alguém me diz que não ligava para a crise climática, mas agora quer fazer de tudo para combatê-la, sinto que meu trabalho foi feito”, diz.

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