20/03/2026
Por Luiz Eduardo de Castro, em O Globo
Morreu na madrugada desta quinta-feira, aos 85 anos, o jornalista Mário Gustavo Rolla, ou apenas Mário Rolla, como foi chamado ao longo de mais de seis décadas de carreira. Rubro-negro aficcionado, o comunicador carioca se mudou ainda criança para Belo Horizonte, mas regressou posteriormente ao Rio de Janeiro. Em sua trajetória, trabalhou em meios de imprensa como O Globo, Jornal do Brasil e Correio da Manhã.
Teve, ainda, passagens por veículos como a Tribuna da Imprensa e o Jornal da Vale do Rio Doce, este criado por Rolla em 1985 a pedido do então presidente da estatal, Eliezer Batista.
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Sob a chefia de Mário Rolla, o jornal acumulou indicações a prêmios nacionais e internacionais, além de ter abrigado intelectuais e ambientalistas do porte do Washington Novaes e Fernando Gabeira, a quem ele havia conhecido em Belo Horizonte, ainda no início da carreira de ambos.
— Mário é um amigo de mais de 50 anos. Foi muito bom jornalista, estudioso da história e sempre com muito bom humor. Viemos numa mesma época para o Rio, jornalistas mineiros buscando oportunidades — lembra Gabeira — Fomos amigos até agora.
A convivência entre Gabeira e Mário em Belo Horizonte é relembrada, inclusive, no documentário sobre o político e ex-revolucionário “Gabeira: Eu não fui preparado para a vida doméstica” (2017), de Moacyr Goés.
“Minas foi não só o foco da revolução, como também o palco da discussão ideológica da época”, narra Rolla, no filme “Assim como se falou depois em fauna humana de Ipanema, criou-se essa fauna humana mineira, muito intelectualizada e que teve uma ressonância muito grande”.
Na década de 1990, o carioca foi consultor da Brasif, grupo empresarial de investimentos, e há duas décadas trabalhava como assessor de imprensa da Dufry, multinacional da área de free shopping.
Era filho de Joaquim Rolla, empreendedor brasileiro do ramo dos jogos e turismo., dono dos cassinos da Urca, Quitandinha e da Pampulha, usados até serem proibidos pelo presidente do Brasil, Eurico Gaspar Dutra em 1946.
Mário Rolla morreu na madrugada desta quinta-feira em seu apartamento, na Rua Paissandu, no Flamengo, de infarto. Ele deixa a viúva Marília Abreu, poeta com quem foi casado por 50 anos, e a filha, Malva, empresária de equipamentos equestres, prazer herdado do pai na fazenda da família em São Domingos do Prata, município de 17 mil habitantes do centro-leste mineiro.
— O que posso dizer do meu pai é que ele foi a pessoa mais inteligente que eu já conheci em toda a minha vida. Ele tinha uma mente brilhante para tudo, era extremamente prático, do tipo que resolve as coisas — conta Malva — E era um cara que adorava que fizessem festa. E quando as festas eram minhas, ele sempre virava o centro das atenções de todos.
Segundo a família, o corpo de Mário Rolla será velado nesta sexta-feira, a partir das 9h, na Capela B Premium do Crematório São Francisco Xavier, no Caju, na Zona Norte do Rio. A cerimônia de cremação está prevista para acontecer na sequência, às 11h.