12/02/2026
Do Poder 360

O ministro Sidônio Palmeira (Comunicação Social) proibiu que integrantes do 1º escalão do governo desfilem no Carnaval do Rio. Avaliou que a exposição nesse tipo de evento pode desgastar a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ano eleitoral. A recomendação para quem for ao Sambódromo da Marquês de Sapucaí é de ficar em camarotes.
A primeira-dama Janja Lula da Silva será destaque no último carro alegórico, que tem o mote “amigos de Lula”. Inicialmente, 7 ministros também integrariam a ala, mas desistiram depois do veto de Sidônio. Uma exceção foi aberta para a ministra Anielle Franco (Igualdade Racial). Carioca e amiga de Janja, a ministra, por enquanto, também desfilará.
Além de Janja e Anielle, estarão no carro alegórico Marcelo Freixo, presidente da Embratur, Bia Lula, neta do presidente, Tereza Cristina, cantora e compositora, e Juliana Baroni, atriz. Outras personalidades também devem integrar a alegoria. Alguns dos convidados desfilarão no chão.
O medo de o Planalto ser contestado na Justiça Eleitoral também motivou a decisão de Sidônio. O Partido Novo ingressou com uma representação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na 3ª feira (10.fev.2026) por propaganda eleitoral antecipada contra Lula, o PT (Partido dos Trabalhadores) e a Acadêmicos de Niterói.
A ação questiona o samba-enredo que homenageará o presidente. A legenda pede que o Tribunal aplique uma multa de R$ 9,65 milhões, valor correspondente ao custo total estimado do desfile.
A ministra do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Estela Aranha, foi sorteada na 4ª feira (11.fev.2026) como relatora da ação. Ela foi indicada à Corte por Lula em 2025.
Também na 4ª feira, a AGU (Advocacia Geral da União) e a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Casa Civil enviaram a todos os ministros do Executivo uma recomendação para que não participem do desfile da Acadêmicos de Niterói.
Além disso, há o receio de que haja alguma contestação judicial pelo fato de o cerimonial da primeira-dama, formado por funcionários da Presidência, ter convidado diretamente empresários, banqueiros, políticos e artistas. Queriam saber as medidas dos convidados para mandar confeccionar as fantasias. Muitos preferiram aceitar apenas o camarote.
Existe ainda o risco de que a Acadêmicos de Niterói seja rebaixada. Este é o 1º ano da escola no Grupo Especial do Carnaval carioca. É comum subir num ano e cair no outro. As manchetes seriam um prato cheio para a oposição.
Parte do governo se arrependeu de ter topado a homenagem que a Acadêmicos de Niterói propôs no ano passado. Lula deu aval ao samba-enredo. Há o temor de que as imagens do desfile na Sapucaí reverberem ao longo da campanha eleitoral de forma negativa.
Para uma parte do público evangélico, por exemplo, o Carnaval é uma festa reprovável. Lula vem tentando se aproximar desse segmento religioso, especialmente na periferia, para reduzir sua rejeição.
Outra parte do eleitorado pode considerar inadequada a participação do presidente. É impossível calcular oefeito ao longo dos próximos dias ou semanas. Mas há um risco real de haver impacto menos positivo do que Lula poderia desejar.
Lula é o 1º presidente que será homenageado no cargo por uma escola de samba. Mas o petista já foi exaltado em outras duas ocasiões no Carnaval. Em 2003, a Beija-Flor, do Rio, exibiu uma escultura de Lula na avenida ao tratar do combate à fome.
Em 2012, o petista foi tema do desfile da Gaviões da Fiel, em São Paulo. A escola é ligada ao Corinthians, time para o qual o presidente torce. Na época, o samba-enredo foi “Verás Que o Filho Fiel Não Foge À Luta – Lula o Retrato de Uma Nação”. O petista não assistiu ao desfile presencialmente porque se recuperava de um câncer na laringe.
Janja participou do ensaio técnico da Acadêmicos de Niterói na 6ª feira (6.fev.2026), na Sapucaí. Mesmo sob chuva, cantou o samba-enredo e ensaiou alguns passos de dança.
Na 5ª feira (5.fev.2026), o presidente da Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares, foi demitido do cargo de assistente da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro). Havia suspeita sobre ele ser funcionário-fantasma do Legislativo local. Palhares ocupava o cargo desde 2025. Estava lotado na Comissão de Transportes, ligada ao gabinete de Dionísio Lins (PP), vice-líder do governo Cláudio Castro (PL) na Casa.
O chefe da Acadêmicos de Niterói recebeu R$ 7.961,34 como assessor em janeiro de 2026, segundo dados do Portal da Transparência da Alerj. Seu salário praticamente triplicou em apenas 9 meses: em abril de 2025, o montante recebido foi de R$ 2.782,56.