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Seminário na ABI marca os 100 anos da Coluna Prestes


A Associação Brasileira de Imprensa recebeu nesta semana o Seminário de 100 anos da Coluna Prestes, em celebração a um dos episódios mais emblemáticos da história política e social brasileira. O encontro, coordenado pela professora Zoia Prestes, contou com a participação de Luis Carlos Prestes Filho, que apresentou a leitura de uma reflexão escrita por Manoel J. de Souza Neto, cientista político e membro da rede Observatório da Cultura do Brasil.

Em sua análise, Souza Neto destacou a atualidade das questões levantadas pela Coluna Prestes, estabelecendo paralelos entre os desafios enfrentados pelo Brasil no início do século XX e as contradições políticas, sociais e econômicas da atualidade. Segundo ele, o movimento iniciado por Luiz Carlos Prestes e seus companheiros não deve ser visto apenas como passado histórico, mas como inspiração de futuro e de resistência.

Entre os pontos abordados, o cientista político ressaltou o impacto das novas formas de dominação global, como a chamada “guerra híbrida”, caracterizada pela combinação de estratégias midiáticas, jurídicas, tecnológicas e culturais. Ele também enfatizou o papel das plataformas digitais e das grandes corporações no que classificou como um processo de “techno-feudalismo”, no qual a produção e o consumo cultural são moldados para controle social e econômico.

Para Souza Neto, é preciso reler Prestes à luz do presente: “A Coluna foi marcha, e marcha deve ser novamente, como guerra de movimento. O Brasil não pode permanecer submisso aos mercados, ao coronelismo interno e à exploração do capital internacional. O desafio atual é enfrentar a dominação cultural, tecnológica e econômica que ameaça a própria humanidade.”

O seminário também trouxe reflexões sobre a necessidade de construir um novo espírito socialista e humanista, capaz de interpretar as transformações aceleradas do nosso tempo e de responder às consequências sociais, culturais e políticas da tecnologia e da inteligência artificial.

Em sua saudação, o presidente da ABI, Octávio Costa, destacou a relação da ABI com Prestes, lembrando que a ABI sediou o V Congresso Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCB), entre 28 de agosto a 6 de setembro de 1960, e citando vários associados da entidade integravam a chamada corrente prestista.

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