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Salgueiro, o “Quilombo” Moderno


27/10/2024


Contar a história do GRES Acadêmicos do Salgueiro é um desafio que somente dois escritores e pesquisadores como Leonardo Bruno e Nei Lopes poderiam ter assumido. Afinal, desde a sua fundação, em 1953, a escola tijucana é um verdadeiro celeiro de bambas, reunindo figuras pioneiras do carnaval carioca, de fundadores a lideranças, de ritmistas a passistas, de compositores(as) a intérpretes, de carnavalescos(as) a coreógrafos(as) – uma galeria de personagens marcantes da avenida desfila nas páginas do mais novo volume biográfico do Acervo Universitário do Samba – UERJ.

Sob a aura do já saudoso Djalma Sabiá, lá estão as personagens únicas da Academia do Samba: de Casemiro Calça Larga a Laíla, de Paula do Salgueiro a Viviane Araújo; de Noel Rosa de Oliveira a Quinho; de Almir Guineto a Mestre Louro; de Tia Bibiana & Maria Romana a Tia Glorinha; de Bala a Xande de Pilares; de Fernando Pamplona & Arlindo Rodrigues a Joãosinho Trinta, Maria Augusta, Rosa Magalhães & Renato Lage.

Todos eles constituem uma das grandes trincheiras de resistência cultural do povo negro do Rio de Janeiro, um dos “quilombos do samba” que floresceram na cidade em meados do século XX, conforme anotam os autores na obra. Uma história que se reafirma no papel pioneiro da escola nos anos 1960/70, com a célebre “Revolução Salgueirense”, que não só reinventou a narrativa visual dos desfiles, como também reescreveu os enredos da festa, desenvolvendo temas afro-libertários (Quilombo dos Palmares, Xica da Silva, Chico Rei, Bahia de todos os deuses, Festa para um rei negro) de exaltação da negritude até sob a ditadura.

Com prefácio da escritora e pesquisadora Rachel Valença, o “livro-almanaque” possui dez capítulos abrangendo todas as facetas do “Quilombo” vermelho & branco. Eles descrevem o território do “torrão amado”, evocam as origens e os fundadores da agremiação, seus laços com os artistas da Escola de Belas Artes e do Theatro Municipal, além de nos apresentar os poetas, cantores & cantoras, passistas, ritmistas, lideranças, os baluartes do passado e a nova geração em flor, os Aprendizes do Salgueiro. Em suma, uma cidadela inexpugnável de resistência do samba e da negritude no coração da Zona Norte do Rio.

FICHA TÉCNICA

Título: SALGUEIRO, O “QUILOMBO” MODERNO: BATUQUEIRO, MANDINGUEIRO, DIFERENTE
(volume 7 da série biográfica do Acervo Universitário do Samba – UERJ)
Autores: Leonardo Bruno & Nei Lopes
Prefácio: Rachel Valença / Ilustrações: Antonio Vieira
Editoras: Mórula Editorial (RJ) / Outras Expressões (SP)
Dados gerais: 272 páginas, capa dura, formato 16 x 23 cm, com 150 fotos e ilustrações

Lançamento: 29/10/2024, a partir das 18 h 30 / Entrada franca
Local: Teatro Odylo Costa, filho / UERJ (Campus Maracanã: R. São Francisco Xavier, 524)

Programação: apresentação da obra ao público, seguida de sessão de autógrafos e roda de samba com os músicos, ritmistas e casal de mestre-sala e porta-bandeira do Salgueiro, cantando clássicos da escola e de Nei Lopes
Realização: Acervo do Samba UERJ / CTE-UERJ / Comuns / DAF / DiTeatro / UERJ
Apoio Cultural: Cor Atual / MF Consultoria Contábil

DADOS SOBRE OS AUTORES

Carioca do Irajá, NEI LOPES é compositor, cantor, escritor e pesquisador incansável das culturas e línguas africanas, desde o continente matriz até os territórios da diáspora. Bacharel em Direito e Ciências Sociais pela Faculdade de Direito da UFRJ, ele é Doutor “Honoris Causa” de quatro universidades públicas do país: UFRGS, UFRRJ, UERJ e UFRJ. O ilustre advogado também se projetou na cena cultural criando sambas memoráveis com parceiros do naipe de Wilson Moreira, Zeca Pagodinho, Moacyr Luz, P. C. Pinheiro, Reginaldo Bessa, Roberto Ribeiro, Ruy Quaresma, Toninho Nascimento e outras feras.

Nas lides carnavalescas, foi compositor e integrante da Velha-Guarda do Salgueiro e diretor da Unidos de Vila Isabel. Autor poliédrico, Nei escreveu obras de diversos gêneros, entre as quais vale citar Oitentáculos (poesia, 2022), A lua triste descamba (romance, 2012), Partido-alto, samba de bamba (ensaio, 2005), além do Dicionário Social do Samba (2017, com Luiz Antonio Simas), o Dicionário da antiguidade africana (2011) e o Dicionário Banto do Brasil (2003). Este Salgueiro, o “Quilombo” moderno, dedicado à escola que segue sendo sua paixão, é o 50º livro do fértil escritor.