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Respeitem a Memória e a História


23/09/2025


Por Reimont Otoni  (*), em Brasil 247

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Nem mesmo a pressão das imensas manifestações deste histórico 21 de setembro, contra a PEC da Blindagem e a anistia espúria pretendida pelos bolsonaristas consegue inibir os fascistas.

Agora, essa extrema direita delirante decidiu empastelar a História, para ludibriar o povo. Sugere que, no passado, a esquerda já pediu anistia. Dona Michelle usa até mesmo o nome e a foto do presidente Lula para mentir e enganar. Como distorcem os fatos!

É importante esclarecer a sociedade. Sim, nós já pedimos Anistia, é fato. Fomos para as ruas em defesa da anistia. Mas que anistia pedimos?

Não pedimos anistia para quem tentou e tenta golpe de estado, para quem conspira cotidianamente contra o país, para quem planejou o assassinato de um presidente e vice-presidente legitimamente eleitos e um juiz da Suprema Corte, para quem fere a Constituição e se recusa a responder por seus crimes.

Pedimos anistia para os perseguidos políticos e seus familiares, que tiveram que abandonar suas casas, escolas, amizades referências afetivas, emocionais e estruturais. Para os que perderam emprego, renda, estabilidade, a liberdade e, em milhares de casos, a vida.

Precisamos lembrar o que foi o golpe civil-militar de 1º de abril de 1964. Não foi contra guerrilhas e guerrilheiros, como a extrema-direita insiste em repetir; não havia isso. Foi uma ação que derrubou o governo democraticamente eleito de João Goulart, que, segundo pesquisa do Ibope, na época, tinha 70% de aprovação às vésperas do golpe de 1964.

Com o golpe, a repressão deu a largada a uma onda de prisões de líderes políticos, militares, religiosos, artistas, sindicalistas, camponeses e todo e qualquer opositor. A primeira lista de atingidos pelo Ato Institucional nº 1 da ditadura, à qual seguiram-se várias outras, incluía mais de 3.500 pessoas. Nos primeiros meses da ditadura, 50 mil brasileiras e brasileiros foram detidos.

Quase 7 mil militares foram presos e desligados das Forças Armadas, sendo 35 mortos e desaparecidos; mais de 5 mil civis sofreram demissões, cassações e suspensão de direitos políticos; 1.800 civis foram comprovadamente presos e torturados, sendo 273 religiosos encarcerados por seu trabalho pastoral; ao menos 11 bebês e crianças foram presos e fichados, alguns deles submetidos ao horror de assistir às torturas impostas a seus pais; foram constatados 434 assassinatos sob tortura, seguidos de desaparecimento dos corpos.

São muitos os casos, absolutamente brutais e abjetos.

Foram milhares, repito, mas termino esse longo artigo lembrando Carlos Alexandre Azevedo, certamente o mais jovem prisioneiro político brasileiro, torturado e assassinado pela ditadura de 1964.

Carlos Alexandre “sangrou” a vida inteira. Suicidou-se em 2013, aos 40 anos de idade.

Foi e é por essas pessoas que lutamos. Respeitem a memória e a história. Sem anistia para os golpistas!

(*) Deputado federal (PT-RJ), presidente da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara