02/10/2025
Por Luis Erlanger

Eu tenho, no meu canal no YouTube, uma seção dedicada a bastidores de antigas coberturas que fiz. Estou na profissão de jornalista, sempre com alma de repórter, desde 1974.
Estou trabalhando vizinho de onde era a OAB nacional, hoje sede da regional Rio. Fui um dos primeiros repórteres a chegar lá, em 1980, logo após o atentado que vitimou a secretária Lyda. A perícia reconstituiu a mesa onde ela trabalhava, que ficou durante anos no hall da entrada.
Para fazer um vídeo relatando a história, depois desses anos todos, voltei por lá em abril. Não estava mais lá. Identifiquei-me na recepção, expliquei o meu propósito e ninguém soube informar. Iria procurar a assessoria de imprensa, mas descobri que a mesa foi para Brasília.
Praticamente seis meses depois, recebi, na semana passada, por WhatsApp, uma intimação para comparecer à 5ª DP, onde há um inquérito policial, para que eu esclareça o que fui fazer lá. Vou a uma delegacia policial para repetir o que falei.
Não consegui acesso oficialmente, mas apurei que uma estagiária relatou que meu comportamento era estranho — um jornalista fazendo perguntas —, que eu usava escuta (sou deficiente e preciso de aparelho auditivo) e que parecia haver um volume na minha cintura. Para isso, não tenho explicação.
É patético e revoltante.
Eu me identifiquei, mostrei minha carteira da ABI — sócio desde 1980 — e esclareci o meu interesse. Se eu fosse um terrorista, não esperaria meio ano. Um jornalista com histórico de apoio à justiça social ter esperado 70 anos de vida para virar terrorista… Imaginam que vou confessar num depoimento?
O que acho mais espantoso é que uma tentativa de reportagem só virou caso de polícia graças à direção da OAB-RJ.
O advogado — com quem vou gastar honorários nesse episódio grotesco — esclareceu que, mesmo tendo explicado a situação pelo mesmo WhatsApp ao inspetor que cuida do caso, se não comparecer à delegacia posso ser preso por desobediência.
No passado, a OAB soltava jornalista.