22/09/2025
Texto de Marcelo Barreto, no Instagram de Nelice Pompeu

Hoje as ruas tiveram gosto de história. Contra o projeto da bandidagem e a anistia indecente aos fascistas, quem roubou a cena não foram políticos em ascensão nem militantes de ocasião. Foram os velhos artistas — a maioria já na casa dos 80 — que, a passos lentos, mas cheios de dignidade, transformaram o asfalto em palco e trincheira.
Suas vozes, marcadas pelo tempo, soaram mais potentes que nos anos 60. Não eram ecos, eram trovões. Cantaram como se ainda estivessem na passeata dos 100 mil no Rio, lembrando a todos que a democracia nunca foi dádiva: sempre foi conquista, arrancada com suor, lágrimas e canções.
A ironia é cruel e pedagógica: enquanto alguns jovens golpistas pedem indulgência para golpistas, são os octogenários que ainda gritam contra a impunidade. De articulações duras e pulmões calejados, mostraram que resistência não tem prazo de validade e que a dignidade não se aposenta.
Hoje vimos que democracia não se defende com discursos burocráticos, mas com vozes que atravessam gerações. E, convenhamos, não há hino de farda capaz de silenciar os “velhinhos subversivos” quando decidem cantar.