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O petróleo é nosso. Ou melhor, deles.


07/01/2026


Por Sérgio Bandeira de Mello (*)

Há um velho ditado na indústria que mandou e desmandou no século 20, e que volta como o big stick defendido pela doutrina Monroe – nada a ver com Marilyn e JFK: “a idade da pedra não acabou por falta de pedra”.

Pois é, a operação Firmeza Absoluta, empreendida pelo poderoso Donald Trump , mostrou que está na hora de raspar o tacho, tacho este acomodado em sub superfície à espera de uma broca e um conjunto sequencial de azeitados canudos gigantes.

Se a PDVSA, companhia estatal venezuelana, está com sua infraestrutura obsoleta, Trump vem aí para salvar o país dos narco terroristas.

Não, caro leitor, a disparidade entre causa e consequência não é da minha lavra, mas do autor da bombástica revelação em plena coletiva de imprensa; na qual, de quebra, induziu as companhias norte-americanas a investirem nas reservas provadas. Tais barris estão de bobeira, à espera de uma tecnologia que inviabilize economicamente a ainda barata fonte de energia.

Sim, como o tempo urge, o agente laranja falou com todas as letras: “Nossas grandes petrolíferas vão entrar e fazer dinheiro”. Tudo contra a madura tirania chavista que nacionalizou o petróleo das sete irmãs e meia dúzia de primas, claro.

Portanto, já que o assunto é o popular ouro negro, que desçamos às profundezas sem medo de encarar o diabo.

Não precisamos chegar ao cretáceo ou ao jurássico superior para analisar a estratigrafia da invasão, pois Trump promoveria um incontrolável blow out nas narrativas que tentavam combinar o inaceitável sequestro com a defesa da democracia.

No entanto, o terreno cedeu com pouco mais que solas de coturnos e saliva boquirrota. Cuspe despeitado em Corina & Cia em linguagem não diplomática do Nobel da FIFA.

Fato é que, com mais chances de uma guerra civil em terras alheias, vem aí mais um remake de No blood for oil. Já em cartaz em Washington, velhos cartazes com os surrados dizeres. Já no resto do mundo, Yankee, go home.

Rotos, impregnados de certo bolor, muitos jogados nos sótãos, outros nos porões, nos famosos basements, inúmeros estarão próximos do aquecimento central. Ou do global.

(*) engenheiro de petróleo, funcionário aposentado da Gerencia de Patrocinio da Petrobras