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O feminismo de dados e as eleições de 2026


22/01/2026


Por Gloria Alvarez, diretora de Mulheres e LGBTQIA+

Em meio às inúmeras pesquisas que estão sendo divulgadas sobre violência, com registros destacáveis sobre violência contra mulheres, o texto da jornalista Ana Carolina Araújo, Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, chama a atenção.

A jornalista observa que as eleições de 2026 expõem um novo desafio ao jornalismo brasileiro: a perda de acesso a dados nas plataformas digitais, o avanço das tecnologias generativas e o aumento imprevisível da desinformação.
Esse novo formato da Comunicação nas eleições gerais deste ano é destacado por Ana Carolina: “teremos eleições federais num ecossistema digital completamente reorganizado pelas grandes plataformas: a Meta, que controla Instagram, Facebook e WhatsApp, encerrou ferramentas de acesso a dados; o X reduziu drasticamente o acesso à sua API; novas tecnologias generativas se popularizaram e a disputa eleitoral é um caminho aberto para fluxos de desinformação absolutamente imprevistos”.

Ao analisar a questão feminista nesse cenário a comunicadora cita a necessidade da mídia brasileira adotar uma visão diferenciada ao analisar os dados das pesquisas. Seu texto defende o feminismo de dados como método e ética jornalística, ao reconhecer que dados não são neutros e reproduzem relações de poder. Mostra como estatísticas incompletas sobre feminicídio, aborto, violência sexual e participação política comprometem a compreensão da realidade brasileira.

Nesse contexto, somam-se a histórica precariedade de dados sobre gênero e raça e o crescimento dos ataques a mulheres — especialmente negras, indígenas, trans e periféricas — no debate público.
Apesar de as mulheres serem maioria do eleitorado, seguem sub representadas na política e altamente expostas à violência política de gênero e raça, cenário que tende a se agravar com a cláusula de barreira e a redução da transparência digital.

Iniciativas brasileiras como Gênero e Número, Instituto AzMina, AbortoNoBrasil.info, Fiquem Sabendo e coletivos periféricos demonstram como o feminismo de dados já contribui para qualificar o debate público.

Para 2026, o texto propõe que o jornalismo incorpore gênero e raça de forma transversal, usando dados com contexto e cuidado, como caminho para enfrentar a desinformação e recuperar relevância social.

Veja o texto completo da Ana Carolina Araújo no link:
https://faroljornalismo.substack.com/p/feminismo-de-dados-nas-eleicoes-de