15/05/2026
Por Lucas Vasques, na Fórum
Foto: Reprodução TV Cultura
Morreu, nesta sexta-feira (15), o intelectual, jornalista, pesquisador, escritor e defensor das causas sociais Vladimir Sacchetta, aos 75 anos. Sua trajetória não pode ser dissociada da militância de esquerda e da luta de classes.
O pesquisador foi o principal responsável por manter viva a chama do trotskismo brasileiro e das dissidências que questionavam tanto a hegemonia stalinista quanto o autoritarismo de direita. Sua atuação foi fundamental para documentar as famosas greves do ABC e o ressurgimento do movimento sindical, conectando o antigo sindicalismo de influência anarquista e comunista com as novas forças operárias do final da década de 1970.
Para Sacchetta, organizar um arquivo não era uma tarefa burocrática, mas um ato político de “desocultamento” das estruturas de poder. Ele via nos documentos as provas materiais da exploração e da resistência à opressão.
Durante os anos mais duros da repressão, atuou nos bastidores da resistência intelectual. Sua militância se manifestava na articulação entre jornalistas e intelectuais de esquerda, servindo como ponte para a denúncia internacional dos crimes cometidos pelos militares que comandavam o Estado brasileiro.
Sua contribuição para o projeto “Brasil: Nunca Mais” é um dos maiores exemplos de sua militância técnica e política. Ao sistematizar a tortura e a repressão, ele não apenas entregou um relatório, mas uma peça de acusação histórica contra o sistema da época.
Vladimir Sacchetta jamais abandonou a perspectiva de classe. Em suas curadorias e edições, o foco era sempre o coletivo, a massa, o movimento. Ele evitava a personalização excessiva da história, preferindo destacar as correntes políticas e os embates ideológicos que moviam o Brasil.
Mensagem do amigo Paulo Vannuchi
O amigo e ex-ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, homenageou Vladimir Sacchetta, em comentário à Fórum.
“O Vladimir é filho do histórico dirigente comunista Hermínio Sacchetta, que no filme sobre o Marighella, do Wagner Moura, é aquele jornalista que topa publicar o manifesto da ALN, numa certa ação revolucionária, o que criou muitos problemas pra ele”, lembrou.
“O Vladimir nasceu nesse ambiente. Ele chama Vladimir, nome do Lenin. Criança, adolescente, sempre um grande lutador. No PT foi o braço direito, chefe de gabinete do deputado Florestan Fernandes, e é o grande nome brasileiro da iconografia, das imagens da história da esquerda, coisas do final do século XIX, todo século XX, movimento anarquista, comunista, sindical, lutas sociais”, ressaltou Vannuchi.
Para finalizar, o amigo relatou: “Parece que ele fez um pedido de que haverá uma incineração, amanhã (16), na Vila Alpina. Ele queria que suas cinzas fossem levadas para a escola do MST, em Guararema”.