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Morre Nelson Rodrigues Filho, o Nelsinho, que militou contra a ditadura e fundou o bloco Barbas


25/02/2026


Por Ancelmo Gois e GGN

Foto: Hudson Pontes

Morreu na madrugada dessa quarta-feira, 25 de fevereiro, Nelson Rodrigues Filho, o Nelsinho, aos 79 anos, no Rio de Janeiro. Ele sofria, desde 2024, das sequelas de um AVC.

Mais conhecido por Nelsinho, o carinhoso diminutivo, o querido carioca vem a ser filho do escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980).

Nelsinho foi diretor de teatro, produtor, roteirista e também um dos responsáveis pela volta do carnaval de rua ao fundar o bloco Barbas, nome que remete à enorme barba que tinha.

Filho do dramaturgo Nelson Rodrigues, construiu trajetória própria nas artes e na vida pública, não se limitando à preservação da memória paterna.

Nelsinho atuou como diretor e produtor em diferentes frentes, transitando entre palcos, roteiros e projetos culturais. Ao longo de décadas, consolidou reputação de articulador e defensor da cultura como instrumento de identidade nacional.

Sua atuação dialogava com o legado crítico e provocador do pai, mas com marca própria: menos centrada na dramaturgia autoral e mais voltada à direção, produção e mobilização cultural.
Militância, prisão e resistência cultural

Durante a ditadura militar, Nelsinho integrou o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), organização de esquerda que atuou na resistência ao regime. Foi preso e permaneceu encarcerado por sete anos — experiência que marcou profundamente sua visão política e cultural.

Em entrevistas, afirmava que não foi morto graças ao prestígio do pai junto aos militares. A vivência do cárcere consolidou sua defesa da cultura como ferramenta de memória, crítica e participação política. Ao longo da vida, manteve postura engajada e coerente com essa trajetória.

O arquiteto da volta do Carnaval de rua

Em 1985, Nelsinho fundou o Bloco Barbas, em Botafogo, iniciativa decisiva para a retomada do Carnaval de rua no Rio de Janeiro após anos de esvaziamento. O nome fazia referência à sua marcante barba — traço que virou identidade visual e símbolo de irreverência.

O bloco ajudou a consolidar um modelo de folia democrática, crítica e participativa, que sairia da marginalidade para se tornar um dos maiores eventos culturais do país nas décadas seguintes. O Carnaval de rua carioca, hoje reconhecido como fenômeno cultural e turístico, deve parte de sua revitalização a esse movimento pioneiro.

Homenagens e reconhecimento

O Ministério da Cultura lamentou a morte do produtor, destacando a perda significativa para o teatro e para a história cultural do país. A nota ressaltou seu papel na formação da identidade nacional e manifestou solidariedade à família e aos admiradores.