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Lançamento do livro “Crime e Território: Dinâmicas Criminais na Baixada Fluminense”


01/09/2026


Uma radiografia inédita sobre poder, crime e o controle territorial no Rio de Janeiro chega neste mês de setembro. Fruto da mais recente cooperação entre a Associação Fórum Grita Baixada (AFGB) e pesquisadores do Observatório Fluminense, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), o livro “Crime e Território: dinâmicas criminais da Baixada Fluminense” chega para contribuir para o debate sobre a Segurança Pública no Estado do Rio de Janeiro. Mas em função da expansão e organização dos grupos criminais mencionados no livro, pode ser dimensionado para áreas dominadas em todo o país.

A obra mergulha nas complexas engrenagens que conectam poder público, agentes de segurança pública, traficantes e milícias na região, desmontando narrativas simplistas com um diagnóstico fundamentado em dados reais. Mais do que um estudo acadêmico, o trabalho surge como um recurso estratégico para diferentes setores da sociedade:

Para gestores e legisladores: Oferece subsídios concretos para a formulação de leis, planos de governo e políticas públicas focadas em inteligência, prevenção e direitos humanos.

Para a sociedade civil e eleitores: Serve como ferramenta crítica para qualificar o debate eleitoral nas Eleições 2026, cobrando propostas realistas e eficazes dos candidatos às pautas de segurança.

Para pesquisadores e imprensa: Reúne dados atualizados que ajudam a compreender a geopolítica do crime e suas ramificações sociais na Baixada Fluminense.

Para a construção do livro, foi fundamental a contribuição de dez mobilizadores locais, que compõem um quadro de lideranças e ativistas em direitos humanos de várias cidades da Baixada Fluminense — alguns deles, mães, irmãs e irmãos de vítimas de desaparecimentos forçados. Resultando numa melhor compreensão do papel de personagens da política local e sua correlação com as atividades criminosas da região, bem como as disputas entre os diversos grupos de interesse e a sustentação de diferentes economias nesses locais, às custas de uma “economia da morte”, engendrada pela atuação de agentes públicos e de grupos criminosos abrigados na estrutura do Estado.

“Os capítulos se desenvolvem inicialmente, através de um levantamento detalhado do passado de cada uma das cidades, de suas dimensões históricas, e os parâmetros mais duradouros dos padrões de violência, dos agressores e das vítimas. Em seguida, há uma apresentação de indicadores socioeconômicos recentes, e de diferentes setores, que moldam cada cidade como saúde, educação, renda, empregabilidade, dentre outros dados, refletindo, por meio de cada um deles, sobre como a violência pode ser pensada a partir do entrelaçamento com cada um desses campos”, explica Adriano de Araujo, coordenador executivo da Associação Fórum Grita Baixada (AFGB)

O livro busca evidenciar as micropolíticas que operam nos territórios da região — isto é, os múltiplos mecanismos de controle cotidiano exercidos por milícias, facções do tráfico, empresas e agentes públicos na Baixada Fluminense.Tais mecanismos não se limitam à violência direta, mas se expressam em formas de dominação, que determinam quem pode abrir um comércio, circular por determinadas ruas, disputar eleições em certas localidades ou atuar por meio de organizações religiosas e sociais.

Além disso, segundo as análises dos especialistas presentes no livro, prefeitos, vereadores, secretários municipais, empresas, policiais e milicianos frequentemente compõem redes de interesses mútuos, sustentadas por favores, esquemas de proteção, financiamento de campanhas, distribuição de cargos e até pela execução de políticas públicas seletivas — como a oferta de serviços apenas a quem “protege”, “apoia” ou “paga” por isso. Essas relações extrapolam as instituições formais e se manifestam por meio de acordos tácitos, pressões, chantagens e práticas subterrâneas de poder, muitas vezes difíceis de rastrear, mas profundamente determinantes para o cotidiano dessas populações.

“Essa diversidade de enfoques presente no livro permite compreender a Baixada Fluminense em sua pluralidade: uma região composta por territórios distintos, mas atravessados por violências semelhantes. Optamos por explorar os principais ilegalismos e os diferentes arranjos do controle por grupos armados a nível local e regional. Por isso, a necessidade de estabelecermos essa conexão entre controle e violência com a política institucionalizada”, diz a socióloga Nalayne Pinto, uma das integrantes do grupo de pesquisa.

Em mais de 500 páginas, o livro apresenta diversas facetas de como a criminalidade “se incorpora como política e economia nesses locais”. Discorre, por exemplo, sobre a perpetuação de poder de dinastias familiares como as da família Cozzolino, em Magé, que comanda, há algumas décadas, a região. Há, também, um balanço sobre a formação de “novas gerações da criminalidade” local como a Família Suruí, e a construção de um “cinturão” de territórios dominados pelo Comando Vermelho, que englobam cidades como Magé, Duque de Caxias e Itaboraí.

Nessa última, há uma investigação sobre os ciclos de ilegalidade protagonizados pelos membros do poder executivo local. Ao longo da última década, todos os prefeitos de Itaguaí foram cassados pela Câmara Municipal, o que evidencia a intensidade das disputas políticas em torno do controle da máquina pública. O porto de Itaguaí também torna-se o pano de fundo para as operações mercadológicas de grupos milicianos como o “Bonde do Ecko”.

Em Duque de Caxias, há uma predominância da exploração ilegal de areais, grilagem, invasão e aterramento de áeras de proteção ambiental pelas milícias para a criação de novos lotes. Uma relação de poder que esses grupos criminosos estabelecem, inclusive, com cartórios locais, o que permite a legalização de terras griladas por meio de registros fraudulentos.

Esse é o segundo livro gerado pela parceria entre o Observatório Fluminense da UFRRJ e a Associação Fórum Grita Baixada. Em 2023, a pesquisa foi publicada no livro Desaparecimento forçado: vidas interrompidas na Baixada Fluminense. O livro trouxe uma abordagem singular sobre as formas contemporâneas de desaparecimento forçado enquanto tecnologia de poder, controle territorial e instrumento de violência seletiva.

Crime e território : dinâmicas criminais na baixada fluminense / 1. ed. –Rio de Janeiro, Editora Mórula, 2026. 516 páginas.

DATAS, LOCAIS E HORÁRIOS DE LANÇAMENTO

🗓️ 03/09, às 18h – Auditório Paulo Freire, Instituto de Ciências Humanas e Sociais, UFRRJ – campus Seropédica

🗓️ 08/09, às 10h – Auditório Profº Bruno Rodrigues de Almeida, UFRRJ – Instituto Multidisciplinar (Nova Iguaçu) – Bloco Multimídia

🗓️ 25/09, às 18h – Livraria Da Vinci, Av. Rio Branco, 185 – subsolo – 1 – Centro, Rio de Janeiro