29/08/2025
Em O Globo
Foto: Bia Guedes / Agência O Globo
A jornalista e locutora carioca Íris Lettieri, conhecida por ser a voz oficial do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro por mais de quatro décadas, morreu nesta quinta-feira (28), aos 84 anos. A família não informou a causa da morte até o momento.
Nascida em 26 de agosto de 1941, no Rio de Janeiro, Íris Lettieri Costa era filha de José Avelino Costa, um locutor da antiga Rádio Cruzeiro do Sul e de Joselita Lettieri, uma professora de piano, canto e dicção. A estreia no rádio aconteceu ainda nos anos 1950.
Aos 16 anos, acompanhando a mãe, que havia sido convidada para um concerto na Rádio MEC, a jovem aguardava com o pai numa sala de som da emissora. Ao ver um gravador, perguntou ao técnico se poderia utilizá-lo. Ele concordou e lhe entregou um jornal. Ela leu a notícia em voz alta e, naquele momento, se encantou pela ideia.
Poucos anos depois, ela se tornou a primeira mulher a ocupar a função de locutora de telejornais no Brasil.
Carreira no telejornal
Sua primeira aparição foi diante das câmeras da TV Continental, em julho de 1959. Tímida e muito magra, trabalhou como garota-propaganda e levou o prêmio de melhor do ano, logo na sua temporada de estreia. Três anos depois, ela se casou e foi morar em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Virou apresentadora da TV Gaúcha e ficou amiga da cantora Elis Regina. Mas pouco tempo depois, o amor acabou:
— Meu marido, 15 anos mais velho, me trocou por uma desquitada de 35, com três filhos. Eu tinha 21. Na separação, abri mão de pensão, só exigi de volta meu nome de solteira — conta Íris em entrevista ao GLOBO, no ano de 2011.
Íris ainda foi a primeira locutora de telejornal do Brasil. Em 1964, convidada pela TV Rio para apresentar um jornal retrospectivo, aos sábados, e ser comentarista de um programa esportivo, trabalhou ao lado de nomes consolidados no universo da comunicação como Oduvaldo Cozzi, Luís Mendes, Nelson Rodrigues e João Saldanha.
Já em 1965, foi contratada pela TV Globo, como lucutora de telejornal e, no ano seguinte, passou a fazer parte do elenco de noticiaristas da TV Tupi. Lá, ficou por 11 anos e ganhou projeção nacional.
A voz do aeroporto
Em 1976, antes da inauguração do Aeroporto Internacional do Rio, no Galeão, foi convidada para ser a voz de chegadas e partidas do local. A experiência que também repetiria em Guarulhos e Congonhas (São Paulo), Eduardo Gomes (Manaus) e Foz de Iguaçu (Paraná). Seu timbre suave e marcante se tornou parte da memória afetiva de milhares de passageiros, transmitindo calma em momentos de tensão.
A carioca também atuou como cantora, atriz e modelo. Sua marca se espalhou também por outros aeroportos brasileiros, incluindo o de Guarulhos, em São Paulo. No Galeão, ela era a voz desde os anos 1970.
A concessionária RioGaleão emitiu uma nota de pesar.
“O RIOgaleão lamenta o falecimento de Íris Lettieri, voz inesquecível que marcou gerações nas rádios e nas mensagens do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Seu trabalho se tornou parte da memória afetiva de milhares de passageiros que passaram pelo Tom Jobim. Manifestamos nossa solidariedade à família, amigos e admiradores dessa profissional que ajudou a escrever a história da aviação e da comunicação no Rio de Janeiro”, afirma o posicionamento.
Ao longo da carreira, Íris recebeu homenagens e prêmios, entre eles o de Personalidade Aeroportuária, concedido pela Infraero em 1995, o selo de qualidade Abrajet-Rio no mesmo ano e a Medalha Pedro Ernesto, honraria da Câmara de Vereadores do Rio, em 1996.
A voz aveludada e sensual que, por 37 anos, orientou e cativou quem circulava pelo aeroporto do Rio tornou-se, em 2014, companheira de viagem de quem utiliza o BRT Transcarioca. A famosa locução, que também guia os passageiros, anuncia as paradas ao longo do corredor expresso.