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Ignácio de Loyola Brandão e Thomaz Souto Corrêa no Mestres da Comunicação


Em um encontro histórico, promovido pela série Mestres da Comunicação, dois nomes que moldaram o jornalismo brasileiro — Thomaz Souto Corrêa e Ignácio de Loyola Brandão — compartilham memórias de uma trajetória marcada pela ousadia, ética e resistência, desde a “Era de Ouro” das revistas até os desafios da era digital.

O programa foi ao ar nesta segunda-feira (15), no canal da ABITV, no Youtube. A série é produzida em parceria com a produtora Alltv-Inginity, tem direção Geral de Alberto Luchetti e apresentação dos jornalistas Ricardo Lessa e Gisele Vitória.

Thomaz Souto Corrêa, o “mestre revisteiro” e ex-vice-presidente do conselho editorial da Editora Abril, e Ignácio de Loyola Brandão, imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) e autor do clássico Zero, demonstram que, além de gigantes da imprensa, são testemunhas vivas da história do país e amigos de longa data.

Thomaz Corrêa é o mentor por trás da consolidação da ética de “Igreja e Estado” na Abril – a separação rigorosa entre conteúdo editorial e publicidade. É também o idealizador do “Decálogo dos Óbvios, Muitas Vezes Esquecidos”, um guia de princípios para a boa prática jornalística.

Loyola Brandão, por sua vez, é reconhecido por seu olhar único sobre o cotidiano e por ter reinventado as revistas femininas como diretor da Vogue e editor de Cláudia ao lado de Thomaz. O ponto de partida da conversa foi o primeiro encontro dos dois, ainda jovens, na Abril. Loyola Brandão revela que sua entrada no universo da literatura foi impulsionada por Thomaz, que reconheceu o talento do jovem editor ao publicar seu primeiro conto.  “Thomaz viu algo naquele texto que eu talvez ainda não soubesse que existia. Foi o início de tudo, lembrou Loyola. O bloco dedicado à “Era de Ouro das Revistas” detalha a implementação da ética jornalística rigorosa de Thomaz e a efervescência da imprensa feminina. “Quando percebi que revistas seriam meu destino, senti que havia um espaço enorme para unir rigor, informação e elegância editorial. A aplicação da ética de ‘Igreja e Estado’ foi fundamental para estabelecer a credibilidade que a Abril conquistou,” afirmou Thomaz, que também presidiu a FIPP (Federação Internacional da Imprensa Periódica) e a ANER (Associação Nacional de Editores de Revistas). A Era de Ouro e as Aventuras de Cláudia Loyola, ao descrever seu período à frente das revistas Cláudia e Vogue, destacou a liberdade criativa e as produções ambiciosas que marcaram a época. As “Histórias Extraordinárias” revelaram bastidores cinematográficos, como a produção da edição Cláudia Hollywood.

Os mestres contaram a inacreditável logística para conseguir fotografar a modelo Mila Moreira com o lendário diretor Alfred Hitchcock, em uma locação inusitada: um frigorífico. O ensaio, que contou ainda com aparições de Kirk Douglas e Steve McQueen, é um marco do fotojornalismo brasileiro. Outras edições ousadas, como a Cláudia Moscou, feita no coração da União Soviética em plena Guerra Fria, e a Cláudia Suécia, foram lembradas como exemplos da coragem editorial da dupla.

De Sartre a Zero: Resistência e Censura

Um dos momentos altos do papo foi o resgate da história de Jean-Paul Sartre em Araraquara. Loyola Brandão, o jovem repórter da época, detalhou a aventura de correr atrás do maior filósofo do século XX no interior de São Paulo. A conversa se aprofundou na era da Censura. Loyola Brandão revelou a gênese de seu romance Zero, um dos maiores libelos contra a ditadura militar:  “O livro nasceu literalmente de recortes censurados. Eu guardava em casa as matérias que eram barradas pela vigilância e percebi que ali havia uma história a ser contada, um retrato do Brasil debaixo do controle”, revelou Loyola.

Thomaz, por sua vez, compartilhou as estratégias adotadas para “manter a essência da reportagem” sob vigilância. – Era preciso um jogo de cintura constante, uma linguagem nas entrelinhas, para que o leitor atento pudesse decodificar a verdade, sem nos expor ao fechamento,” explicou. O programa dedicou um bloco especial à leitura do “Decálogo dos Óbvios, Muitas Vezes Esquecidos” de Thomaz Souto Corrêa, um conjunto de 10 mandamentos do bom jornalismo.

Veja aqui.