29/03/2025
Por José Trajano, do Conselho Consultivo da ABI, no Instagram

Por que essa gritaria toda, carregada de palavrões repetidos exaustivamente?
Não dar pra conversar na TV, no Youtube, seja lá onde for, em um tom mais ameno, mais coloquial, sem parecer um desequilibrado ou um estúpido de plantão?
Ou é uma farsa, apenas fingimento para ganhar cliques e virar notícia e destaque?
Virou moda entre alguns comentaristas( ainda bem que são poucos), que sem nenhum constrangimento, gritam, se descabelam, esperneiam, ameaçam, para falar de uma derrota ou de um lance polêmico, seja da seleção ou do time do coração.
Houve a época do engraçadinho (felizmente em baixa), agora é a vez do raivoso, do destemperado, do exacerbado. Muitos de nós (eu, inclusive) já tivemos momentos de muito exagero, de discussão acalorada, de mau humor, mas nada se compara ao que se vê por aí.
Quando comecei no jornalismo esportivo, há seis décadas, éramos vistos como cidadãos de terceira classe. Nos classificavam como ignorantes, grossos, que só falavam de futebol e olhe lá.
Com o tempo, põe tempo nisso, as coisas mudaram. A entrada de gente talentosa e preparada, com a cabeça mais aberta e interesses além do futebol e dos esportes, o jornalista esportivo foi se imponho. A importância das mulheres nas redações, nos comentários, nas reportagens, furando uma barreira intransponível durante décadas, foi fundamental.
Hoje há mil caminhos a seguir – podcast, aplicativos, streaming, youtube, canais abertos, canais fechados, sites, etc – o que dá oportunidade para muita gente –apesar do enxugamento das redações dos impressos.
Muito legal que seja assim!
O que não deveria ter lugar são os gritos, as caras de ódio, as caretas e os destemperos! Argh!
Como não ter saudades do Antero Greco nessas horas?