23/11/2025
Por Hélio Euclides (*)
Representantes da Redes da Maré e alunos que se apresentaram e a secretária Tainá de Paula
Em Belém, no Pará, ocorreu a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Já na cidade de Rio de Janeiro, ocorreu a COP 30: Vozes da Favela na Agenda Climática Global, que fazia parte do projeto Diálogos Locais Rio25. O evento destacou o protagonismo das favelas e territórios populares na construção de soluções para a crise climática.
O encontro foi realizado na Areninha Cultural Herbert Vianna, na Maré, promovido pela Redes da Maré, em parceria com a Rede Comuá, e com apoio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio de Janeiro.
A ação reafirmou o compromisso com a justiça territorial, colocando as favelas e áreas periféricas no centro do debate para pensar políticas públicas mais justas e eficazes. Maurício Dutra, coordenador do Eixo de Direitos Urbanos e Socioambientais, da Redes da Maré, foi o mediador do evento. “O encontro foi importantíssimo porque juntou uma série de atores locais, governamentais, assim como escolas, coletivos, lideranças, para discutir a temática das injustiças climáticas dos quais nós estamos inseridos, que atravessa o território de forma mais incisiva, que é a temática. Houve também uma perspectiva das soluções, das possibilidades, da mobilização, articulação, visando apresentar as vozes da favela para a agenda climática global na COP30”, destaca.
O evento reuniu estudantes, lideranças comunitárias e representantes de instituições que atuam diretamente na construção de cidades mais justas e sustentáveis. A abertura contou com a participação de uma apresentação dos alunos do Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) Maria Amélia Castro Belfort, com uma música que apresentou a experiência das crianças com a composteira realizada pelo projeto Ecoclima, do eixo Dusa, na escola.
A Secretaria Municipal do Ambiente e Clima (SMAC) foi representada pela secretária Tainá de Paula, que enfatizou a importância da favela neste debate. “Como é que a gente garante a participação daqueles que são diretamente impactados nos outros biomas que não estão no bioma amazônico? Então, é fundamental para a gente construir espaços de diálogo com a favela, com a periferia, a partir de temas que são tão importantes para nós, para que a gente leve de forma estruturada as nossas demandas e as nossas reivindicações”, comenta.
As mudanças climáticas em discussão
A mesa Panorama das Políticas de Adaptação e Mitigação em Favelas focou nas políticas públicas, avaliando o diagnóstico local sobre saneamento, moradia e segurança alimentar. “O Conjunto de Favelas da Maré vem gerando tecnologias socioambientais já há muito tempo, desde hortas comunitárias, cozinhas solidárias, telhados verdes e equipamentos de despoluição de canais fluviais. Então, essas tecnologias que nós implementamos são referência.
Trazer esse debate para a Maré é uma defesa de uma favela mais sustentável, que possa possibilitar uma relação direta com o meio ambiente. Isso nos coloca no centro dessa agenda e permite com que a voz do território seja ecoada”, afirma Walmyr Junior, coordenador da Horta Maria Angu.
Vitor Dias Mihessen, coordenador geral da Casa Fluminense acredita que o encontro torna mais acessível e popular a COP. “É importante que todo mundo entenda as influências do clima, pois a gente tem 37 graus no nosso corpo, se passar disso no ambiente já é uma condição que o corpo humano não tem boa vida. Então, é pensar que a discussão é sobre nós, sobre o nosso dia-a-dia e aí não pode ser feita sem os territórios, sem nós. A busca por justiça climática é algo que está aqui no cotidiano da Maré e falando a partir do território é imprescindível para que se tenha acordos que consigam enxergar por mais ângulos, por mais perspectivas, como é que as mudanças climáticas impactam a vida da população”, destaca.
Depois da mesa, foram apresentadas algumas iniciativas locais que levam ao debate sobre o clima no território. Logo após, Felipe Lopes, chefe de gabinete da SMAC, encerrou o evento agradecendo os mais de 200 participantes e a organização.
(*) jornalista comunitário, trabalhou no jornal O Cidadão e no Maré de Notícias, e faz parte da Redes da Maré