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Família de jornalista vai à África conhecer parentes retornados


18/11/2025


Por Rogério Marques, conselheiro da ABI

Fotos: Rogério Marques

Momentos de emoção aconteceram na Associação Brasileira de Imprensa na segunda-feira, dia 16, no mês da Consciência Negra. A família do jornalista Olympio Marques dos Santos (1918-1981), ex-sócio da ABI e militante histórico do Movimento Negro, conversou por videoconferência com parentes que vivem no Togo, do outro lado do Oceano Atlântico, na África Ocidental.

O encontro virtual, através de um telão, aconteceu no auditório do sétimo andar e durou duas horas. Os dois lados da família não se conheciam. No prédio da ABI, no Rio, estavam presentes dois filhos de Olympio, Antônio Carlos e Ruben Dário, a neta Hanna e os netos Saulo e Ruben Dário Júnior.

Na cidade de Lomé, capital do Togo, estavam cerca de 20 pessoas da família, a mais velha com 97 anos. Participaram também alguns parentes que moram em outros países. Em dezembro, a família de Olympio Marques dos Santos viaja para o Togo, a convite do governo daquele país, para conhecer pessoalmente os parentes togoleses.

Na hora da despedida, uma foto dos parentes “reunidos”, uns no auditório da ABI e outros no Togo. Em breve, o encontro vai ser pra valer, em Lomé, capital do país africano

O evento teve o apoio das diretorias de Igualdade Étnico-Racial e Administrativa da ABI, e contou com a ajuda do diplomata, fotojornalista e pesquisador Carlos Fonseca. Foi ele que localizou o ramo da família Olympio no Togo. Fonseca é autor do livro “Os retornados – a história dos ex-escravizados que deixaram o Brasil e formaram comunidades afro-brasileiras no Golfo do Benin”.

Essa história começa no longo e trágico período da escravidão, quando aproximadamente quatro milhões de africanos, segundo o IBGE, foram trazidos para o Brasil nos porões dos navios negreiros – mulheres, homens, crianças. No século 19, o afro-brasileiro Francisco Olympio da Silva decidiu fazer a viagem de volta e retornou à atual região do Togo. Deixou descendentes no Brasil e constituiu grande e influente família na África. Seu neto Sylvanus Epiphanio Olympio foi um dos principais líderes da independência do Togo, em 1961, que era uma colônia francesa. Tornou-se então o primeiro presidente do país, até ser deposto e assassinado em um golpe de estado, em 1963.

Clima descontraído 

O encontro virtual dos dois ramos da família começou timidamente, com as apresentações, em tradução simultânea feita pelo diplomata Carlos Fonseca. Ele já esteve várias vezes na África e havia entrevistado alguns integrantes da família Olympio para seu livro “Os retornados”.

Depois dos primeiros 30 minutos de conversa, o clima ficou mais descontraído, principalmente do outro lado do Atlântico. Alguns togoleses cantaram músicas ligadas à festa do Senhor do Bonfim e outras canções, todas elas com nítida influência de ritmos brasileiros. As músicas eram acompanhadas com palmas, e uma senhora chegou a dançar.

No final do encontro, os dois lados se despediram com acenos, uma foto “juntos” – embora separados pelo Atlântico – e manifestaram o desejo de um encontro pessoal, que deverá acontecer na primeira quinzena de dezembro.

Ruben Dário Júnior, neto do jornalista Olympio Marques dos Santos, disse que se sentia emocionado e que agora os laços entre as duas famílias vão ser estreitados. Hanna Marques, também neta de Olympio, lembrou que “essa é uma oportunidade importante, porque são poucos os negros brasileiros que conseguem localizar seus parentes africanos”.  Antônio Carlos Marques dos Santos, filho de Olympio, disse que sempre sonhou em visitar o Togo “com o objetivo principal de conhecer, no país africano, os parentes que vivem lá”.

O encontro, perto de se tornar realidade, será também uma homenagem à memória do jornalista Olympio Marques dos Santos, um eterno lutador por justiça social, contra o racismo, pelos direitos do povo negro.