07/01/2026

O jornalista Carlos Eduard Ulup, morreu nessa quarta-feira (7), às 15h56, no Hospital Samaritano, em decorrência de uma súbita embolia pulmonar, aos 81 anos. Ele estava se recuperando de uma cirurgia. Já estava em casa, mas teve uma embolia pulmonar hoje.
Ulup, uma pessoa de excelente caráter e profissionalismo exemplar, era sócio efetivo n º 0001706 da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) desde 30 de janeiro de 1972, portanto há 54 anos. Trabalhou no Correio da Manhã, no JB, na Veja, na FioCruz, entre outros.
“Ulup foi um parceiro da vida toda, que reunia afeto e saber na mesma pessoa. Eu o conheci através do Rui Xavier (outro fraterno amigo que perdi ) ainda nos anos 70. As nossas famílias conviveram bastante juntas, fazendo programas como levar as crianças ainda pequenas para passear no aterro. No campo político guardo como hoje uma reunião em sua casa com o filósofo marxista Carlos Nelson Coutinho, uma das mentes mais brilhantes que conheci. Coutinho acabara de escrever, lá nos 80, um texto intitulado Democracia como valor universal que mexeu com a cabeça e mente de boa parte da esquerda brasileira na época. Com a morte de Ulup eu perco um querido amigo e o jornalismo e a luta social perdem muito também. Triste, muito triste”, registrou Ancelmo Gois, do Conselho Consultivo da ABI.
Albino Castro Filho, do Conselho Fiscal da ABI, comentou: “Fomos colegas, entre 1972 e 1973, na Rio Gráfica Editora, no bairro do Rio Comprido, no Rio de Janeiro. Eduardo Ullup era repórter da revista semanal de economia Cifrão, juntamente com Iza de Salles, e eu estava no projeto da públicação mensal Você, semelhante à Realidade, da Editora Abril – dirigida por Dante Mattiussi. O Diretor da Rio Gráfica era Paulo Patarra. Eduardo Ullup era muitíssimo querido por todos nós na Rio Gráfica”.
Militante do PCBR, foi preso e torturado no DOI-Codi da Rua Barão de Mesquista e no DOPS, em 1970. Condenado a dois anos e meio de prisão, cumpriu a maior parte da pena no presídio da Ilha Grande. O jornalista Álvaro Caldas, do Conselho Consultivo da ABI, registrou a militância política de Ulup na luta contra a ditadura: “Grande amigo, amizade de uma vida inteira. Numa redação de jornal, na militância politica, nas conversas regadas a um bom tinto nos de bares e restaurantes da vida. Nos amores e nos dissabores. Até no porão do Doi-Codi estivemos juntos. Texto primoroso, espirito romântico e alegre, antifascista radical, permanecerá na memória dos amigos e dos que enfrentaram a ditadura.

O velório será realizado na sexta-feira (9), a partir das 9h30, na sala 4 da Capela Real Grandeza, em Botafogo. O sepultamento será às 11h00.
A ABI se solidariza com todos os seus familiares e amigos pela dor dessa perda irreparável.