24/07/2025
Por Amy Walker, em BBC News
Foto: Getty Images
A BBC News e três das principais agências de notícias expressaram profunda preocupação com os jornalistas em Gaza, que, segundo elas, estão cada vez mais sem condições de alimentar a si mesmos e suas famílias.
Aqueles que estão cobrindo o conflito a partir de Gaza agora enfrentam a fome e “as mesmas condições extremas das pessoas que estão cobrindo”, afirmou um comunicado conjunto da BBC News, Agence France-Presse (AFP), Associated Press (AP) e Reuters.
“Há muitos meses, esses jornalistas independentes têm sido os olhos e ouvidos do mundo em Gaza”, diz o texto.
Veículos de imprensa internacionais dependem de repórteres locais dentro de Gaza, já que Israel não permite a entrada de jornalistas estrangeiros — incluindo da BBC News — no território.
A declaração conjunta foi divulgada no momento em que mais de 100 organizações internacionais de ajuda humanitária e grupos de direitos humanos alertam para a ocorrência de fome em massa em Gaza.
O comunicado completo afirma:
“Estamos extremamente preocupados com nossos jornalistas em Gaza, que estão cada vez mais incapazes de alimentar a si mesmos e a suas famílias. Há muitos meses, esses jornalistas independentes têm sido os olhos e ouvidos do mundo em Gaza. Agora, enfrentam as mesmas condições extremas das pessoas sobre as quais estão fazendo a cobertura. Jornalistas já enfrentam muitas privações e dificuldades em zonas de guerra. Estamos profundamente alarmados com o fato de que a ameaça de fome passou a ser mais uma delas. Mais uma vez, apelamos às autoridades israelenses que permitam a entrada e saída de jornalistas em Gaza. É essencial que suprimentos adequados de alimentos cheguem à população local.”
Em um comunicado separado, as organizações Médicos Sem Fronteiras (MSF), Save the Children e Oxfam disseram que seus colegas e as pessoas que atendem estão “definhando”.
Porém, Israel, que controla a entrada de suprimentos em Gaza, acusou as instituições humanitárias de “servirem à propaganda do Hamas”.
Desde domingo, 45 palestinos morreram por desnutrição, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.
Israel impediu a entrega de ajuda a Gaza no início de março, após um cessar-fogo de dois meses.
O bloqueio foi parcialmente suspenso quase dois meses depois, mas a escassez de alimentos e medicamentos piorou.
Israel, com apoio dos Estados Unidos, ajudou a estabelecer um novo e controverso sistema de ajuda, gerido pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla em inglês).
Centenas de mortes foram registradas nas imediações dos pontos de distribuição da GHF desde que as operações começaram, há oito semanas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que um quarto da população de Gaza enfrenta condições semelhantes às da fome em massa, segundo suas avaliações.
Na quarta-feira, o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou: “Não sei como isso pode ser chamado de outra forma senão fome em massa — e é provocada pelo homem. E isso está muito claro: é por causa do bloqueio.”