02/06/2026
Teresa Fazolo, da Comissão de Meio Ambiente

Na próxima sexta-feira (5) será celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente e, abrindo a Semana Nacional dedicada ao tema, cerca de 200 entidades levaram a Copacabana, no último domingo, suas vozes e bandeiras pela causa ambiental, sob o lema “Floresta Viva, Ar Limpo, Água e Solo para Todos. Por um Estado Sustentável”.
O Ato Público Ambiental, convocado pelo Femaarj (Fórum Estadual de Meio Ambiente e Agricultura) e pelo Senge (Sindicato dos Engenheiros), reuniu representantes de movimentos socioambientais, organizações, coletivos, de diferentes regiões do Estado. Entre outros, participaram do Ato representantes da Fiocruz/Ensp, do Comitê de Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), da Federação das Associações de Moradores do Rio de Janeiro (FAM-Rio).
A Comissão de Meio Ambiente da ABI acompanhou as plenárias para organização e esteve presente na concentração e na marcha do Ato, durante as quais lideranças socioambientais expuseram suas demandas e propostas. A CMA/ABI levou para o Ato sua Campanha pela aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 6/21. Esta campanha foi lançada pela ABI em março de 2024 e já recebeu a adesão de cientistas, políticos, entidades públicas, lideranças da sociedade civil. A PEC 6/21 propõe a inclusão na Constituição Federal do acesso à água potável entre os direitos e garantias fundamentais da população. A chamada PEC da Água Potável espera na Câmara dos Deputados, desde junho de 2024, a formação de uma comissão especial para avaliá-la (veja aqui).
Os organizadores calculam que cerca de 500 pessoas participaram, integral ou parcialmente, da manifestação. Uma Carta Compromisso foi elaborada, exigindo “uma transformação radical na governança ambiental do Estado do Rio de Janeiro, na qual a gestão priorize a proteção da biodiversidade, das florestas, das águas, do solo e do ar.”
Em suas falas, lideranças da sociedade civil destacaram os riscos diante da previsão de um El Niño mais intenso este ano, agravando ainda mais as dificuldades enfrentadas especialmente pelos segmentos mais vulneráveis da população. Saneamento precário, enchentes, falta de água, doenças de veiculação hídrica devido à contaminação de rios e lagoas, planejamento urbano preservando áreas verdes nas cidades, reciclagem, poluição do ar, transição energética foram temas abordados.
Este ano, a República do Azerbaijão sediará a comemoração global do Dia Mundial do Meio Ambiente, em Baku. Em sua página de apresentação, o país anfitrião destaca que “o planeta não discute. Não negocia. Ele envia sinais — mares em ascensão, incêndios florestais violentos, ondas de calor, geleiras derretendo. Dissemos que 1,5°C era o limite. Estamos atravessando.” E que não é mais possível fechar os ouvidos a estes sinais, pois “a questão não é mais se a mudança acontece, mas como a guiamos e com que rapidez ela acontece”.
A mobilização de diferentes segmentos da sociedade, unindo suas vivências e formações profissionais, numa ação coletiva como foi o Ato de domingo, é fundamental para que as políticas públicas necessárias sejam justas, adequadas e eficazes para enfrentar os desafios das alterações climáticas que vêm se agravando e provocando consequências cada vez mais devastadoras. E contribui para amplificar os sinais que a natureza envia, para que sejam ouvidos por todos, promovendo conscientização, estimulando e orientando ações em defesa do planeta.