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Ato pelos 21 anos da Chacina da Baixada


30/03/2026


Vinte e um anos. Vinte e nove vidas. Uma só exigência: justiça.

No próximo 31 de março de 2026, a partir das 17 horas, a Praça dos Direitos Humanos, em Nova Iguaçu, será o centro de uma mobilização que reúne famílias de vítimas, organizações de direitos humanos, movimentos sociais, artistas e a população da Baixada Fluminense em um ato público de memória, denúncia e resistência.

O evento marca os 21 anos da Chacina da Baixada Fluminense — uma das maiores chacinas já registradas na história do Rio de Janeiro — e é organizado pela Associação Fórum Grita Baixada (AFGB), pela Rede de Mães e Familiares de Vítimas de Violência de Estado da Baixada Fluminense e pela Rede de Educação Popular da Baixada Fluminense.

Em 31 de março de 2005, grupos de policiais militares praticaram uma sequência de execuções nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados, na Baixada Fluminense, resultando em 29 mortos ao longo de aproximadamente três horas. O episódio é considerado uma das maiores chacinas já registradas na história do Rio de Janeiro e teve ampla repercussão nacional e internacional.

Vinte e um anos não apagam. Não apagam rostos, não apagam vozes, não apagam a hora exata em que tudo mudou. Para as mães e familiares que estarão na Praça no dia 31, o tempo não passou — ele simplesmente se dobrou sobre a dor.

Luciene Silva, da Rede de Mães e Familiares de Vítimas de Violência de Estado da Baixada Fluminense, coloca em palavras o que tantas famílias carregam: “São 21 anos desde que aconteceu a Chacina da Baixada. Eu acho que não só para mim, mas para todos os familiares, parece que foi ontem, parece que não se passaram esses 21 anos. Até porque além da dor, da angústia, do sofrimento, a gente fica mais impactado, mais mexido e até revoltado. Porque a gente viu nesses 21 anos que tudo ao invés de melhorar, piorou. A Baixada Fluminense é um território que sempre teve violações de direitos, principalmente em relação ao direito à vida. A gente tem muito mais famílias que tiveram perdas violentas, casos de desaparecimentos forçados que não tiveram seus entes queridos para enterrar. Isso é um sofrimento, uma angústia muito grande. Hoje a gente se sente triste.”

Entre as que estarão presentes na Praça no dia 31, há quem conheça a dor da perda não uma, mas duas vezes. Renata Aguiar integra o coletivo de mães da Baixada Fluminense e já teve dois filhos assassinados — não na Chacina de 2005, mas nas muitas violências de Estado silenciosas que se repetem, semana após semana, nesta região:

“Nós precisamos insistir e perseverar para que isso não caia no esquecimento. Porque a nossa Baixada Fluminense, infelizmente, é muito invisibilizada. A nossa sociedade esquece das coisas muito rápido. E só quem fica com essa dor é a família. Então, a família fica doente, com traumas, memórias que não se apagam do ente querido que se foi nessa covardia. Queremos ser lembradas para que outras chacinas como essa não venham a acontecer.” — Renata Aguiar, mãe e integrante do coletivo de mães da Baixada Fluminense

Essa dor coletiva tem também uma dimensão política, como articula Ilsimar de Jesus, da Rede de Mães e Familiares de Vítimas de Violência de Estado da Baixada Fluminense:  “A resistência e a manutenção da memória são pilares fundamentais na luta pelos direitos humanos, especialmente em contextos marcados pela violência, pela desigualdade e pela negação sistemática da dignidade de determinados grupos sociais. Lembrar não é apenas um ato simbólico, é um gesto político. A memória preserva histórias que muitos tentaram apagar, denuncia injustiças e impede que crimes sejam naturalizados ou esquecidos. Resistir é transformar lembranças em ação, dor em denúncia e história em instrumento de mudança.”

A Baixada Fluminense segue sendo uma das regiões com maiores índices de letalidade policial no estado do Rio de Janeiro. Famílias de vítimas de desaparecimentos forçados, execuções e chacinas continuam sendo atendidas pela AFGB sem que o poder público ofereça respostas estruturais. A aprovação, em março de 2026, da lei que criminaliza o desaparecimento forçado no Brasil como crime hediondo — conquista histórica da qual a Associação Fórum Grita Baixada foi protagonista — é um passo. Mais um passo que chega tarde demais para as 29 famílias de 2005.

PROGRAMAÇÃO
17h = Abertura
17h15 – Exibição do filme Nossos Mortos Têm Voz
Após a exibição –  Roda de conversa com mães e familiares presentes — perguntas, respostas e interação com os participantes
Apresentação coreográfica “Te desejo, vida”
Leitura dos nomes das 29 vítimas da Chacina da Baixada Fluminense e das demais vítimas da violência letal e dos desaparecimentos forçados na região
Encerramento  –  Poesia e convite para reunião presencial de avaliação e planejamento

SOBRE AS ORGANIZADORAS

A Associação Fórum Grita Baixada é uma organização da sociedade civil com sede em Nova Iguaçu/RJ, que atua em 13 municípios da Baixada Fluminense na defesa dos direitos humanos, no enfrentamento à violência do Estado, na proteção de defensoras e defensores de direitos humanos e no suporte a famílias de vítimas de desaparecimentos forçados e execuções.

A Rede de Mães e Familiares de Vítimas de Violência de Estado da Baixada Fluminense reúne mães, pais e familiares que perderam entes queridos para a violência policial e institucional na região, transformando a dor individual em força coletiva de luta por justiça e memória.

A Rede de Educação Popular da Baixada Fluminense articula educadores, coletivos e organizações comprometidas com a formação crítica e cidadã das comunidades da Baixada, compreendendo a educação como instrumento indissociável da defesa dos direitos humanos.