04/12/2025
Por Gloria Alvarez, diretora de Mulheres e LGBTQIA+

Segundo a descrição da repórter Andrea Jubá, do jornal Valor Econômico, no último dia 2 de dezembro, durante evento da Petrobras, o presidente Lula disse que, atendendo a apelo da mulher Janja, assumia publicamente a responsabilidade de uma “luta mais dura contra a violência do homem contra a mulher”.
Afirmou que estava lançando, no momento, um movimento para conscientizar o país que “homem não nasceu para bater em mulher”.
Segundo o presidente a fórmula é buscar conscientizar “um novo homem”.
Sem dúvidas, a pressão para que o presidente viesse a se posicionar foi o horror que assistimos nos últimos dias. O Ministério das Mulheres contabiliza 86 mil agressões contra mulheres em 2025. Na última semana o Ministério da Justiça e da Segurança Pública registrou que quatro mulheres foram vítimas de feminicídio por dia. Isto é, considerando as ocorrências contabilizadas e devidamente registradas. E todos sabemos que as potenciais vítimas nem sempre recorrem à polícia. Geralmente o medo domina qualquer tipo de ação.
O colunista Nelson Motta aborda o feminicídio em sua coluna no jornal O Globo definindo o que chama de “homens feministas”: “deveriam ser todos que têm filha. A regra é clara: não faça às filhas dos outros o que você não gostaria que fizessem com as suas”.
Ruth Aquino intitula sua coluna de hoje, no jornal O Globo, com: “Uma semana de luto para as mulheres”. E conta: “homens abusivos nem se limitam mais a espaços privados, como a sala e o quarto. Elevadores têm revelado cenas indigestas de surras. Academias de ginástica, ruas, calçadas, não importa onde. A arma pode ser o revólver, o canivete, a faca, o fogo, o carro, o punho, as mãos”. E confirma a dedução de Lula: “Há algo muito errado na educação masculina. Não se explica geneticamente esse comportamento”.
Nós, mulheres, precisamos de ação dos poderes públicos. Há um ano, o presidente Lula sancionou lei que agravou a punição para casos de feminicídios. A pena mínima passou de 12 para 20 anos e a máxima de 30 para 40. Mas, mesmo assim, a escalada continua. Será que poderemos contar com medidas reais para mudar o comportamento de homens agressivos?