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Adeus a Marceu Vieira: o cronista maior


30/09/2025


Por Jorge Antonio Barros, em Quarentena News
O jornalismo e a música brasileira perdem uma de suas vozes mais sensíveis e perspicazes. Morreu na noite desta segunda-feira, no Rio de Janeiro, o jornalista, compositor e cronista Marceu Vieira, aos 63 anos, em decorrência de um câncer de pulmão que vinha enfrentando há cerca de dois anos.
Marceu não era apenas um repórter; ele era a personificação da curiosidade atenta e da escuta apurada que definem o bom jornalismo. Carioca de alma, apesar de nascido em 31 de março de 1962 na Baixada Fluminense, em Morro Agudo (Nova Iguaçu), Marceu formou-se em Comunicação Social pela UFF e iniciou uma trajetória brilhante que o levou às redações mais importantes do país.
​Ele passou pela extinta “Tribuna da Imprensa”, “Veja”, “O Dia”, “Jornal do Brasil”, “Época” e “O Globo”. Em cada redação, deixou a marca do repórter em tempo integral, aquele que se aprofunda na apuração e transforma o fato em uma narrativa rica em detalhes e humanidade. Sua experiência cobrindo política e o cotidiano do Rio o dotou de uma visão crítica, mas sempre com o calor de quem ama a cidade e compreende suas contradições.
Tive o prazer de conviver com Marceu na coluna de Ancelmo Gois, do Globo, na qual ele era o redator-chefe, que cunhou alguns dos melhores bordões, como “Beija eu”.
Marceu passou por aqui como uma espécie de meteoro, deixando um rastro de amor, empatia, companheirismo, lealdade e talento, muito talento. Um grande exemplo para todos nós, jornalistas e amantes do Rio.
​Nos últimos anos, sua carreira ganhou destaque na televisão, onde atuava como um dos talentos por trás do programa “Conversa com Bial”, na TV Globo. Ali, sua experiência com a reportagem de profundidade era traduzida no texto elegante e nas pautas relevantes que ajudavam a guiar as entrevistas de Pedro Bial, mantendo-se, mesmo nos bastidores, como um articulador de boas histórias.
​Mas a paixão de Marceu Vieira não se restringia ao texto. Ele era, também, um grande compositor, com uma forte ligação com o samba e a Música Popular Brasileira. Parceiro de longa data do violonista Tuninho Galante, deixou um repertório de canções que falam de amor, de saudade e da vida simples do carioca, com títulos como “Meu Saravá” e “Samba Carioca”. Sua música era uma extensão de sua crônica, capturando o sabor do dia a dia com a mesma leveza e poesia.
No ano 2000, compôs “Palavras de cal”, em parceria com o violonista Tuninho Galante. Em 2007 apresentou, com Tuninho Galante, o show “Geral” no Centro Cultural Carioca, no Rio de Janeiro, no qual contou com os músicos Lucas Porto (violão de sete cordas), Marcelo Bernardes (sopros), Thiago da Serrinha (percussão), Mariana Bernardes (cavaquinho e voz) e Clarice Magalhães (pandeiro e voz).
Em 2009, a cantora Clarice Magalhães lançou o CD “Meu Saravá” (Selo Cedro Rosa), com produção de Tuninho Galante, no qual incluiu de sua autoria as faixas “O pescador e a sereia” (c/ Tuninho Galante), “Samba carioca” (c/ Tuninho Galante) e ainda a faixa-título “Meu saravá”, também em parceria com Tuninho Galante. Neste mesmo ano, também em dupla com Tuninho Galante, apresentou-se no projeto “Sete em Ponto”, do Teatro Municipal Carlos Gomes, na Praça Tiradentes. O show foi apadrinhado pela dupla bossanovista Roberto Menescal e Wanda Sá.
No ano de 2010 lançou em parceria com Tuninho Galante CD com 14 faixas (letras suas e melodias do parceiro) das mais de 120 parcerias da dupla, muitas das quais gravadas por vários intérpretes, entre o quais Nilze Carvalho, Ana Costa, Mariana Baltar, Thiago da Serrinha, Luciane Menezes e Clarice Magalhães. Neste mesmo ano sua obra foi revisitada em um programa especial por Ricardo Cravo Albin na Rádio MEC-AM do Rio de Janeiro.
Em 2011 apresentou, ao lado de seu parceiro Tuninho Galante, o show “Minha escola vai desfilar”, realizado no Centro Cultural Carioca e logo depois no Teatro Café Pequeno, no Rio de Janeiro. O show contou com um repertório de sambas feitos em homenagem às escolas de samba do Rio e com a participação do cantor Pedro Paulo Malta, que cantou sambas que homenageiam a Mangueira, e dos músicos Marcelo Bernardes (sax-flauta), Cris Cotrim (cavaquinho), Julio Florindo (baixo), Luisinho Sobral (bateria), Clarice Magalhães (voz e percussão) e Thiago da Serrinha (voz e percussão).
Tuninho Galante sequer conseguiu falar do parceiro: “Estou destroçado”, afirmou.
​Em suas crônicas, muitas publicadas em diferentes veículos ao longo dos anos, Marceu se revelava o cronista do ordinário, elevando as pequenas sensações humanas a temas de reflexão. Ele tinha a rara capacidade de fazer o leitor se sentir íntimo de seus personagens e cenários, fossem eles um beco na Baixada ou o universo do show business.
​A sua partida, precocemente levada por uma doença impiedosa, silencia uma voz que era fundamental para a nossa cultura. O legado de Marceu Vieira, contudo, permanece: nas páginas que escreveu, nas músicas que compôs e na forma como nos ensinou que o jornalismo e a arte de contar histórias são inseparáveis.
Marceu tinha três filhos, Maria, Mateus e Vitória. ​Aos familiares, amigos, colegas da imprensa e da música, o luto por um grande talento que se despede, mas que deixa uma história e uma canção para nos lembrar de tanta beleza que ainda há no mundo.
O COMUNICADO DOS FILHOS
Os filhos enviaram pelas redes o seguinte comunicado:
“Amigos queridos,
É com o coração apertado, mas cheio de gratidão, que nos despedimos do nosso amado Marceuzinho. Ele lutou com coragem até o fim, mas chegou a hora do seu descanso.
Confiamos na espiritualidade e acreditamos que tudo acontece no tempo certo, do jeito que deve e precisa ser.
Nosso pai foi e sempre será lembrado como um homem muito amado, um pai extraordinário, jornalista e cronista brilhante, compositor de alma, sambista apaixonado, amigo leal e dono de tantas outras qualidades que enchem nossa memória de orgulho e carinho.
Em breve, compartilharemos as informações sobre o velório.
Pedimos apenas que cada um vibre amor, paz e gratidão pela oportunidade de ter convivido com uma pessoa tão especial quanto ele.
Com amor,
Maria, Mateus e Vitória”

 

*Queridos amigos*,

Compartilhamos com muito carinho as informações sobre a despedida do nosso amado pai Marceuzinho, que acontecerá amanhã, dia 1º de outubro, quarta-feira:

9h às 11h – Cemitério Municipal de Nova Iguaçu (Capela A Vip)

13h às 16h – Associação Brasileira de Imprensa (ABI)
Rua Araújo Porto Alegre, 71, 9º andar, Centro

A cremação será em seguida, em cerimônia reservada apenas para a família.

Pedimos a todos que nos acompanhem nessa corrente de luz e amor, emanando boas energias. Se desejarem, venham de branco ou em cores claras.

Com gratidão por todo o carinho recebido,

*Maria, Mateus e Vitória*