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55 anos do assassinato de Rubens Paiva: memória, verdade e dever do Estado


23/01/2026


Por Moacyr de Oliveira Filho, diretor de Jornalismo da ABI

  Foto: Acervo Família Rubens Paiva

No dia 20 de janeiro de 1971, o deputado Rubens Paiva foi preso por agentes do Estado brasileiro, conduzido a instalações militares e submetido a tortura, vindo a falecer, no quartel da PE, na Rua Barão de Mesquita, na Tijuca, onde funcionou o DOI-Codi, no dia 22 de janeiro. Seu corpo foi ocultado, e a família permaneceu por décadas sem informações oficiais sobre seu destino. Passados 55 anos, o caso permanece como um dos episódios mais graves das violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura militar no Brasil.

O assassinato de Rubens Paiva não constituiu fato isolado. Inseriu-se em um aparato repressivo institucionalizado, caracterizado pela prisão arbitrária, pela tortura sistemática, pela execução de opositores políticos e pela ocultação de cadáveres. Tais práticas configuram graves violações ao direito à vida, à integridade física e às garantias fundamentais, contrariando normas nacionais e internacionais já vigentes à época.

Ao longo dos anos, versões oficiais tentaram atribuir o desaparecimento a circunstâncias indefinidas, como fuga ou desconhecimento dos fatos. Investigações posteriores, relatórios oficiais e o reconhecimento formal do Estado brasileiro desmontaram essas narrativas, confirmando que Rubens Paiva morreu em decorrência da ação direta de agentes públicos. Apesar desse reconhecimento, a inexistência de responsabilização penal efetiva dos envolvidos evidencia os limites do processo de justiça de transição no país.

A rememoração dos 55 anos do assassinato de Rubens Paiva reafirma o dever permanente do Estado com a memória, a verdade e a justiça. Preservar a memória das vítimas da repressão política não se confunde com revanchismo, mas constitui compromisso institucional com os princípios do Estado Democrático de Direito e com a não repetição de práticas autoritárias.

O fortalecimento da democracia exige o enfrentamento responsável do passado, o reconhecimento das violações cometidas e a valorização das políticas de memória. Ao recordar Rubens Paiva, reafirma-se que a tortura, o assassinato político e o desaparecimento forçado são crimes inaceitáveis em qualquer contexto e incompatíveis com uma ordem democrática fundada no respeito aos direitos humanos.

A ABI, que sempre lutou em defesa da democracia, dos direitos humanos e da liberdade de imprensa, reafirma seu apoio ao tombamento do Quartel da PE, na Rua Barão de Mesquita, na Tijuca, onde Rubens Paiva foi assassinado, e sua transformação num Memorial em homenagem às vítimas da ditadura.

Tortura, Nunca Mais!