UNE lança Comissão da Verdade Estudantil


18/01/2013


A União Nacional dos Estudantes (UNE) lança na noite desta sexta-feira, dia 18, a Comissão da Verdade Estudantil. A solenidade integra as atividades de abertura do 14º Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb), da UNE, que será realizado entre os dias 18 e 21, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife.

A programação do Coneb inclui debates e atividades culturais relacionados à luta pela reforma universitária, entre outros itens da pauta de reivindicações da UNE. Cerca de 3.500 estudantes de vários estados participarão do encontro
 
De acordo com o Presidente da UNE, Daniel Iliescu, o objetivo da Comissão da Verdade Estudantil é investigar, apurar e esclarecer os casos de morte ou desaparecimento de estudantes e dirigentes da entidade durante a ditadura militar(1964-1985). Pelo menos 46 membros da UNE, além de dezenas de estudantes, figuram na lista de mortos e desaparecidos no período.
 
—Queremos complementar a Comissão Nacional da Verdade com os nossos trabalhos. Teremos um ano e três meses para investigar os casos de assassinato e desaparecimento envolvendo não só as lideranças estudantis, mas também estudantes anônimos, que não foram demandados em registros históricos. Vamos exigir do Estado brasileiro o reconhecimento de sua responsabilidade, disse Iliescu.
 
A Comissão da Verdade Estudantil será formada por 12 integrantes vinculados aos movimentos sociais parceiros da UNE, além de dirigentes estudantis e familiares das vítimas. O ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, vai orientar os trabalhos, que deverão ser concluídos entre os meses de março e abril de 2014.
 
A reunião inaugural da Comissão deverá acontecer nas próximas semanas. Um dos primeiros casos a serem investigados é o de Honestino Guimarães, eleito Presidente da UNE em 1971, que desapareceu em 10 de outubro de 1973, logo após ter sido preso e encaminhado ao Centro de Informações da Marinha (Cenimar), no Rio de Janeiro. A Comissão pretende apresentar um relatório sobre este caso no dia 28 de março, quando Honestino completaria 66 anos. Na mesma data será lembrado o assassinato do estudante Edson Luis, morto em 28 de março de 1968, por agentes da ditadura, durante uma manifestação no restaurante Calabouço, no Centro do Rio de Janeiro.
 
*Com informações UNE, G1, Portal Vermelho