UNE de ontem protesta contra incêndio de sua sede há 50 anos


Por Cláudia Souza*

31/03/2014


Alfredo Marques Vianna (crédito: Raul Azêdo)

Alfredo Marques Vianna (crédito: Raul Azêdo)

A União Nacional dos Estudantes (UNE) realiza nesta terça-feira, dia 1º de abril, às 10h, um ato público em descomemoração ao golpe de 64, em frente ao terreno da sede da entidade, na Praia do Flamengo, 132. No local será exposta uma grande faixa com os dizeres “UNE de ontem protesta contra incêndio de sua sede há 50 anos”. O ataque teve início às 10h do dia 1º de abril de 1964.

A manifestação contará com a presença de líderes históricos da UNE, ex-presidentes da entidade, estudantes e o público em geral, tendo sido organizada pelo jornalista, advogado e economista Alfredo Marques Vianna, que presidiu a União Metropolitana dos Estudantes (UME) em 1959 e 1960, e foi Conselheiro e Diretor Financeiro da ABI na gestão de Barbosa Lima Sobrinho.

— Estão sendo realizados diversos eventos sobre os 50 anos do golpe de 1964, especialmente debates e lançamentos de livros. O nosso ato público contará com a presença de pessoas que participaram ativamente da luta contra a ditadura, entre as quais José Frejat, 90 anos, que presidiu a UNE em 1954, e permanece fiel à defesa das liberdades. A UNE de cabelos brancos estará presente ao lado dos jovens de hoje.

Alfredo Vianna, que atualmente é Diretor da Federação das Câmaras de Comércio do Exterior, e da Associação dos Exportadores Brasileiros, conta que assistiu de perto a movimentação das tropas militares no dia do golpe:

— Eu estava em meu carro junto com José Batista de Oliveira Júnior, que foi presidente da UNE em 1954. Na altura da Cinelândia, vimos a tropa militar lacerdista e a chegada das forças do Exército. Seguimos em direção ao Palácio Guanabara, sede do Governo João Goulart, e percebemos que o local estava abandonado. Ao retornamos pela Praia do Flamengo, vimos o prédio da UNE em chamas.

Alfredo Vianna conta que imediatamente parou o carro e foi reconhecido por uma das pessoas que participavam do vandalismo contra a entidade:

— Nessa época eu ocupava a vice-presidência da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Fui abordado por um colega de trabalho que após participar das cenas de violência, percebeu que estava equivocado e decidiu apoiar os legalistas.

Outro episódio importante, recorda Alfredo Vianna, foi a tomada da sede da Sociedade Germânia, em 1942, por estudantes da UNE. O objetivo era fazer uma campanha junto ao presidente deste clube, Luiz Paes Leme, para pressionar o então presidente Getúlio Vargas a apoiar os países Aliados contra o avanço do nazifascismo.

— Na época o presidente Roosevelt, dos Estados Unidos, enviou uma carta aos estudantes da UNE agradecendo o apoio às forças aliadas na Segunda Guerra Mundial. Esta carta será exibida no ato público desta terça-feira, 1º de abril de 2014. O documento será entregue a José Frejat.