Um retrato do amor pelo cinema


17/09/2010


                    
A ABI realizou na noite desta quinta-feira, dia 16, sessão especial para a inauguração de um quadro com a fotografia ampliada da platéia que compareceu à sessão da Cinemateca do Museu de Arte Moderna, em 13 de maio de 1958, no Auditório Oscar Guanabarino, para a exibição do filme “O Ferroviário”, do italiano Pietro Germi, um dos mestres do neo-realismo.
 
A imagem histórica, registrada Robert Léon Chauvière, revela na platéia a presença de jovens cinéfilos que mais tarde se destacaram como grandes nomes do cinema nacional, e fundadores do Cinema Novo, entre os quais Cacá Diegues, Walter Lima Júnior, Leon Hirszman, David Neves e Marcos Farias.
 
Prestigiaram a sessão comemorativa estudantes, cineastas, fotógrafos, jornalistas, associados e membros do Conselho da ABI, como Adail José de Paula, Alcyr Cavalcanti, Miro Lopes, José Pereira da Silva, Sérgio Caldieri, entre outros.
 
Na abertura da cerimônia, o Presidente da ABI Maurício Azêdo, ressaltou o papel da Associação na cultural nacional:
—Este momento para nós da ABI tem um significado muito importante, porque é o reencontro da ABI com o papel que ela desempenhou e ainda desempenha na cidade do Rio de Janeiro, que é uma das propulsoras da atividade cultural cinematográfica.
 
Maurício sublinhou também a importância da fotografia registrada por Robert Léon Chauvière como documento histórico para o cinema brasileiro:
—Naquela plateia estavam presentes alguns dos jovens cinéfilos que atuariam depois como criadores do Cinema Novo, que levou a cultura cinematográfica brasileira ao exterior, com grande brilho. 

O jornalista Dejean Marco Pellegrin, autor do convite a Chauvière para fazer a fotografia em 1958, destacou o vínculo entre a história do cineclubismo e das cinematecas no Brasil, com a ABI, onde eram realizadas as sessões.
—Nós tínhamos um interesse muito grande pelo cinema. Corríamos atrás de livros sobre o assunto, que eram escassos na época. Era um ideal, um amor total pelo cinema.
 
Robert Léon Chauvière, autor da imagem histórica, também recordou com alegria a sessão de 13 de maio de 1958:
—Eu fiquei comovido porque esta foto faz parte de uma etapa do cinema brasileiro que não era fácil. Nós importávamos filmes de vanguarda que a censura muitas vezes não deixava passar. Naquela época era um amor com finalidade somente intelectual.
 
Com mais de cinco décadas de carreira no jornalismo, Roberto Muggiati, escritor, crítico de cinema e de jazz, também compareceu ao evento.
—Saí de Curitiba para estudar cinema na França, dois anos depois da realização desta foto histórica, em 1958.  Em Paris, conheci Dejean Pellegrin, que me iniciou no mundo do cinema. Dois anos mais tarde, fui para a BBC de Londres. Quando retornei ao Brasil, caí nas garras da Manchete, onde trabalhei ao longo de 35 anos, até a falência da empresa. Sempre fui fã de cinema. Trabalhei em revistas ilustradas e com fotografia, como na Veja, no cargo de editor de artes e espetáculos, na Fatos e Fotos, como editor, entre outras publicações. A minha paixão pelo cinema sempre esteve muito envolvida em tudo isso.
Neo-realismo

Após a solenidade, foi exibido o filme “O Ferroviário”, que conta a história de Andrea Marcocci, um maquinista italiano, casado com três filhos, que enfrenta problemas familiares. Suas dificuldades aumentam no momento em que ele se desentende com o sindicato e se vê isolado, tanto no trabalho quanto em casa.

 
O diretor Pietro Germi, nascido em Gênova, mostra os dramas sociais da sociedade siciliana da época, utilizando a estética neo-realista. A obra venceu diversos prêmios, entre eles, o de melhor filme no Festival de Cannes, melhor filme estrangeiro, Direção de filme estrangeiro, e melhor atriz de filme estrangeiro (Luisa Della Noce), no Festival Internacional de San Sebastián, na Espanha.
 
 
 
 
 
 
 
 

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