21/09/2026

O cacique Raoni Metuktire é o único brasileiro incluído na edição de 2026 da Climate 100, lista elaborada pelo jornal britânico The Independent que reúne 100 personalidades de destaque mundial na defesa do meio ambiente e no enfrentamento da crise climática.
Publicada nesta semana, a terceira edição da lista destaca ativistas, agentes de mudança e inovadores que vêm contribuindo de maneira significativa para a busca de soluções para a emergência climática.
A divulgação da Climate 100 coincide com a Climate Week NYC, realizada em Nova York.
Durante o evento, o The Independent também promoverá sua própria conferência Climate 100, reunindo algumas das personalidades e lideranças ligadas à agenda ambiental.
Reconhecido internacionalmente por sua atuação em defesa da Amazônia e dos direitos dos povos indígenas, Raoni é uma das principais lideranças indígenas brasileiras. Em 2025, foi condecorado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito, a mais alta honraria concedida pelo Estado brasileiro.

Único brasileiro da lista
Raoni Metuktire, cacique do povo Kayapó, no Brasil, dedicou sua vida à proteção da Amazônia e hoje tem 94 anos. Considerado uma das personalidades mais influentes do país, é frequentemente apontado como um dos mais importantes defensores da floresta amazônica. No entanto, por ter crescido levando um modo de vida nômade na Amazônia, só teve contato com o mundo exterior aos 22 anos.
Há uma década, conforme noticiado pelo jornal The Independent, Metuktire afirmou que o mundo desenvolvido estava determinado a “destruir tudo” e instou seus cidadãos a mudar radicalmente sua maneira de pensar.
Na COP30, realizada no ano passado em Belém, no Brasil, ele liderou uma flotilha de 100 barcos pelo rio Amazonas em protesto contra a exploração de petróleo e projetos de infraestrutura industrial na região. O cacique conclamou os líderes mundiais a refletir sobre sua responsabilidade de ajudar a pôr fim à extração ilegal de recursos e ao desmatamento, práticas que contribuem para o agravamento das secas e dos incêndios florestais.
Ele ganhou notoriedade no final da década de 1980, quando fez campanha ao lado do astro pop Sting e de sua esposa, Trudie Styler, para impedir a construção de usinas hidrelétricas no rio Xingu, um importante afluente do Amazonas. A campanha obteve grande êxito, mas a ameaça ressurgiu posteriormente com a apresentação de um plano para a construção de 60 hidrelétricas — projeto que acabou sendo rejeitado em 2016, após forte oposição, sobretudo de grupos indígenas.
Suas Memórias do Cacique, foram publicadas no ano passado. Na obra, ele afirmou que o então presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, desejava exterminar os povos indígenas do país. Raoni também se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o alertou sobre os efeitos devastadores da exploração de petróleo. Além disso, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito, a mais alta honraria civil do Brasil, em reconhecimento à sua trajetória de defesa do meio ambiente e dos direitos dos povos indígenas.