16 de agosto de 2022


Terra dos índios, filme de Zelito Viana, no Cineclube ABI Macunaíma


09/11/2021


O Cineclube Macunaíma exibe, amanhã, a partir das 10h e até segunda-feira, Terra dos índios(1979), com direção de Zelito Viana. O documentário mostra a luta dos grupos remanescentes indígenas no Brasil pelo restabelecimento da posse de suas terras. Entre eles, estão os Cainganges, Cadieu, Caiuá, Cajabi e os Xavantes. A narração é de Fernanda Montenegro e estão no elenco Darcy Ribeiro, Tzeremodzé Mario, Marçal de Souza e Ângelo Cretã, entre outros. O link direto do filme disponível no canal da ABI do YouTube é https://youtu.be/J1lB2_­­fF9MQ.

O filme é dividido em três partes: Eu Fui Nascido e Criado Aqui, O índio como Negócio e Nosso Documento é Tradição. Às 19h30, haverá debate com o apresentador do programa, o cineasta Silvio Tendler, o diretor do filme, Zelito Viana, o indigenista Sydney Possuelo e a assessora de Darcy Ribeiro, Gisele Moreira. O mediador será o jornalista Ricardo Cota. Assista pelo canal da ABI no YouTube. Link: bit.ly/3uZn84f

Filme

O longa metragem colorido tem 1h45 e mostra as condições de existência de algumas tribos indígenas que ainda existem no Brasil: os Caingangue do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina; os Guarani do Paraná e Mato Grosso do Sul; os Cadiuéu, os Xavantes, os Terena e os Cajabi do Mato Grosso do Sul. Um prólogo de Darcy Ribeiro coloca historicamente o confronto entre o índio e a civilização branca. Um índio guarani, Marçal, analisa as condições de vida dos índios matogrossenses do sul.

Através de três episódios, a questão indígena é debatida: a) a invasão de colonos e fazendeiros nas terras dos índios caingangue, no Rio Grande do Sul; b) a emancipação defendida pela FUNAI e contestada por líderes indígenas, por Dom Tomás Balduíno, presidente do CIMI, e também pelo antropólogo Darcy Ribeiro; c) cantos, danças e festas são mostradas como forma de dominação ou resistência cultural. Neste último episódio o filme mostra que, apesar de séculos de opressão e da proximidade da chamada civilização, os índios que sobreviveram permanecem índios.

O argumento e a direção são de Zelito Viana; o roteiro de Zelito Viana, Darcy Ribeiro e Carlos Moreira Neto; fotografia de Afonso Beato; e a montagem de Eduardo Escorel. Estão no elenco Darcy Ribeiro, Dom Tomás Balduíno, Aniceto Tzudzauéré, Ambrósio, Ângelo Kretan, Ângelo Iacan, Alcides Xantê, Caiuá, Clemente, Claudio Ninito, Daniel Caxibi, Gumercindo, Marçal de Souza, Mário Juruna, Niré, Norberto, Potã, Jejé Tiaraju, Virgulina, Ramon, Maria Rosa, Ewran e Tito.

As músicas são as seguintes: Caiuá –  Caingangue, Guarani; Suiá –  Xingu; Flautas Taquará – música de Xingu; Grito olímpico – música de Xingu; Canto fúnebre Trumai– música de Xingu; Canção para o branco -música de Caingangue,intérprete: Ângelo; Ngwaren Ngere (corrida de tora), música de Suiá; Mendiyi Kasag Ngere (canção de guerra), de Suiá; Canto para beber xixá, de Guarani; Reza para melhorar lavoura, música de Caiuá;  Aki – música de Suiá e intérprete(s): Robndo; Canção Caiuá, com Ireno; Flauta Iacuí, música de Xingú.

Diretor
Zelito Viana escolheu o cinema quando, em 1964, seu colega de turma, Leon Hirzman o convidou para trabalhar como produtor. Em junho de 1965 funda, com um grupo de jovens realizadores, entusiastas do movimento cinemanovista, a Produções Cinematográficas Mapa Filmes do Brasil.

Em 1970, Zelito passou para trás das câmeras e iniciou a carreira de diretor, com as comédias Minha namorada  e O doce esporte do sexo (1971), que teve como protagonista seu irmão, Chico Anysio. O filme de época Os condenados (1975), baseado no romance de Oswald de Andrade, conquistou diversos prêmios, entre eles, o de Melhor Diretor em Nova Delhi, na Índia, Salva de Prata em Portugal e foi selecionado para a Mostra New Films New Directors, no Festival de Nova York.

Fez ainda Morte e vida severina, que ganhou o Margarida de Prata, como Melhor Filme e, em 1979 e lançou o filme Terra dos índios, seguido de Avaeté, Villa-Lobos – Uma vida de paixão (2000), que recebeu o Prêmio Golfinho de Ouro como Melhor Filme do Ano de 2000. Em 2009, ele lançou o longa-metragem Bela noite para voar, sobre o presidente Juscelino Kubistchek e, em 2011, realiza o documentário Augusto Boal e o Teatro do Oprimido, relembrando os feitos do dramaturgo e diretor teatral, morto em 2009. Seu trabalho mais recente,  A arte existe porque a vida não basta é um espetáculo em homenagem a Ferreira Gullar estrelado por Marco Nanini, com roteiro de Nelson Mota. O último filme dirigido por Zelito foi “A arte existe porque a vida não basta”, de 2016, uma homenagem a Ferreira Gullar, codirigida com Gabriela Gastal.

Ele foi homenageado em inúmeros festivais pelo conjunto de sua obra e tornou-se referência no cinema brasileiro. Atualmente, desenvolve o longa Sedução, além de orientar os diferentes projetos da Mapa, premiadíssima produtora multimídia, que atua em todos os setores do audiovisual. Ele é irmão de Chico Anísio já falecido e da atriz Lupe Gigliotti, pai do ator Marcos Palmeira e da cineasta Betse de Paula, tio da atriz e diretora Cininha de Paula, do roteirista e ator Bruno Mazzeo e dos comediantes Lug de Paula e Nizo Neto. A arte corre em suas veias

Debatedores

Sydney Possuelo é um dos maiores indigenistas do Brasil, ativista social e etnógrafo brasileiro, considerado a maior autoridade com relação aos povos indígenas isolados do Brasil e presidiu aFunai no governo Collor.  Ele pensa que o governo Bolsonaro é o “momento mais terrível e mais difícil” já registrado para os povos tradicionais em toda a história republicana do país. Durante sua trajetória como indigenista, teve contato com diferentes grupos em situação de isolamento e foi o responsável pela criação da Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC), agora sob a chefia do líder evangélico Ricardo Lopes Dias, ligado à Missão Novas Tribos do Brasil. Indígenas e especialistas apontam que o avanço dos interesses de grupos evangélicos sobre as comunidades tradicionais fere os direitos culturais desses povos, cuja preservação é resguardada pela Constituição Federal de 1988. Ao todo, a Funai tem registro de 114 povos indígenas isolados – definidos pelo Estado como comunidades que, voluntariamente, decidem não interagir com o mundo externo. Cálculos do Instituto Socioambiental (ISA) indicam a existência de um número maior, que seria de 128 populações com essa característica. A Funai só conseguiu confirmar 28, mas existem quase 90 povos [isolados] que estão expostos a situações de invasão territorial, de grilagem, de madeireiros e queimadas.

Gisele Moreira foi assessora técnica de Darcy Ribeiro entre 1991 a 1997, quando ele faleceu, contribuindo na elaboração, organização e edição de textos e livros quando o antropólogo era senador e publicou obras importantes sobre sua interpretação da formação do povo brasileirocomo A Fundação do Brasil, testemunhos de 1500 a 1700, em coautoria com o etnohistoriador Carlos de Araujo Moreira Neto, e O Povo Brasileiro, a formação e o sentido do Brasil. Também publicou seus Diários Índios, os índios Ururbu-Kaapor, que revela o trabalho etnográfico precioso de Darcy Ribeiro ainda jovem, quando atuava no antigo Serviço de Proteção aos Índios.

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