Snowden deixa aeroporto de Moscou após receber asilo temporário


Por Igor Waltz*

01/08/2013


Cópia do documento provisório russo de Edward Snowden é apresentada por seu advogado, Anatoly Kucherena, em Moscou (Crédito: AP)

Cópia do documento provisório russo de Edward Snowden é apresentada por seu advogado, Anatoly Kucherena, em Moscou (Crédito: AP)

O ex-consultor de serviços de inteligência da CIA Edward Snowden deixou a zona de trânsito do aeroporto internacional de Moscou e foi para um local seguro não revelado, anunciou seu advogado, o russo Anatoly Kucherena, nesta quinta-feira, 1º de agosto. Depois de 40 dias em área de trânsito no Aeroporto de Sheremetyevo, Snowden finalmente obteve asilo temporário de um ano na Rússia.

O especialista em inteligência de 30 anos fugiu para Hong Kong, de onde viajou para Moscou em 23 de junho, após revelar vastos programas de espionagem dos Estados Unidos. Ele deixou o aeroporto por volta das 14h (hora local), e apesar da grande presença de jornalistas no local não foi visto. “Sua localização não será divulgada por razões de segurança já que ele é o homem mais perseguido do planeta. Ele mesmo decidirá para aonde ir”, disse o advogado.

Em junho, o ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês), órgão ligado à CIA, revelou detalhes de um programa de inteligência dos EUA para monitorar dados telefônicos e atividades na internet de milhões de pessoas, dentro e fora do país, num caso que provocou indignação internacional.

O fugitivo norte-americano teve ofertas de asilo da Venezuela, Nicarágua e Bolívia, e disse que gostaria de visitar esses países. No entanto, as logísticas para chegar a qualquer um desses países são complicadas, porque seu passaporte dos EUA foi revogado. Kucherena havia afirmado anteriormente que o asilo temporário permitiria que Snowden viaje livremente apenas dentro da Rússia. O asilo de um ano pode ser estendido.

O grupo do site de vazamentos WikiLeaks disse que sua assessora jurídica Sarah Harrison está agora acompanhando Snowden. O grupo também elogiou à Rússia pelo oferecimento de abrigo ao americano. “Gostaríamos de agradecer ao povo russo e todos os outros que ajudaram a proteger Snowden”, disse WikiLeaks no Twitter. “Vencemos a batalha – agora a guerra.”

Kucherena disse que Snowden demorou pouco tempo para fazer as malas e deixou o aeroporto em um táxi.  Segundo o advogado, o fugitivo tinha amigos na Rússia, inclusive alguns americanos, que poderiam garantir sua segurança.

Relações entre Rússia e EUA

O presidente russo Vladimir Putin concedeu asilo a Snowden na Rússia sob a condição que parasse de vazar segredos dos EUA. Kucherena afirmou que Snowden aceitou essa condição.

O jornal The Guardian publicou na quarta-feira, 31 de julho, uma nova reportagem sobre os programas de monitoramento dos EUA baseado em informações provenientes de Snowden, mas Kucherena disse que o material foi fornecido antes que Snowden se comprometesse a parar de vazar documentos.

A concessão de refúgio ao americano pode complicar as relações entre Rússia e Estados Unidos, que buscam a extradição de Snowden para que ele possa ser julgado por espionagem. Uma autoridade do Kremlin, no entanto, disse após Snowden deixar o aeroporto que os laços entre os países não serão afetados e classificou o caso de insignificante. “Nosso presidente manifestou esperança muitas vezes de que isso não afetará o caráter de nossas relações”, afirmou Yuri Ushakov, embaixador russo em Washington.

A Casa Branca anunciou nesta quinta-feira que está “extremamente desapontada” com a decisão da Rússia de permitir que Snowden deixe o aeroporto e ameaçou desmarcar um encontro de cúpula entre os países. Com isso, o governo dos EUA afirmou que, “à luz dos últimos fatos” está reavaliando a utilidade de um encontro de cúpula entre os presidentes Barack Obama e Vladimir Putin, previsto para setembro. Os dois mandatários têm agendada uma reunião à margem da cúpula do G20, que acontecerá em São Petersburgo.

Na quinta-feira, o pai de Snowden, Lonnie, afirmara ter recebido um pedido do FBI para viajar a Moscou ao encontro do filho. Em entrevista à emissora estatal russa, Lonnie aconselhou o filho a continuar no país e disse que se ele voltasse aos Estados Unidos não teria um julgamento justo.

* Com informações dos portais G1, Terra, Último Segundo e do jornal O Globo.  

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