30 de setembro de 2022


Silvio Tendler no programa Encontros da ABI com a Cultura


20/10/2021


Encontros da ABI com a Cultura entrevista amanhã, às 19h30, Silvio Tendler, o premiado cineasta que possui as três maiores bilheterias do documentário brasileiro – “Os anos JK – Uma trajetória política”, “O Mundo Mágico dos Trapalhões” e “Jango” – , além de 60 prêmios, entre eles seis Margaridas de Prata – C.N.B.B e o Prêmio Salvador Allende no Festival de Trieste, Itália, pelo conjunto da obra.

Sua trajetória revela décadas de pesquisas que deram origem a seu acervo particular de imagens, com mais de 80.000 (oitenta mil) títulos sobre a História do Brasil e do mundo dos últimos 60 anos, sendo, possivelmente, o maior do gênero existente no Brasil. Seu último filme, A bolsa ou a vida, aborda a cultura, sociedade, patrimônio, meio ambiente, direitos individuais e coletivos pela ótica do capital. Hoje, ele será entrevistado pela escritora e jornalista Cristina Serra e os jornalistas Ricardo Cota e Zezé Sack. A apresentação é da jornalista Vera Perfeito.

Cineasta

A carreira do cineasta Silvio Tendler teve início, em meados da década de 1960 por meio do Movimento Cineclubista, que ajudou a formar uma geração de cineastas brasileiros já que não existiam escolas de cinema no Rio de Janeiro. Ele implantou a cátedra na PUC/RJ dde onde éprofessor até hoje.

Em 1968,realizou seu primeiro documentário, sobre a Revolta da Chibata, após conhecer o marinheiro João Cândido. Depois seguiu para o Chile e França, retornando ao Brasil, em 1976, quando rodou, “Os Anos JK – Uma Trajetória Política”. Seus filmes “Jango” e “Anos JK”, apesar de falarem sobre o golpe militar de 1964 e a democracia, foram lançados ainda em plena ditadura militar, em 1984 e 1980. Tem dezenas de prêmios nacionais e internacionais. Foi Secretário de Cultura e Esporte do Distrito Federal. Grande parte da obra de Tendler pode ser conferida gratuitamente em seu próprio canal no Youtube, Caliban Cinema e Conteúdo.

Em 1970, Silvio Tendler chegou ao Chile e, nos dois anos seguintes, dedica-se integralmente ao cinema, à época do governo Salvador Allende. Em 1972, viaja para a França para dar continuidade a seus estudos em cinema, fazen do a Especialização em Cinema Documental aplicado às Ciências Sociais, no Musée Guimet. Ainda nesse ano, realiza o filme “La Spirale”, sobre os eventos que ocorreram no Chile até sua violenta derrubada de Salvador Allende.

Em 1975, forma-se em História, pela Université de Paris VII e participa da primeira turma do Curso de Cinema e História orientada por Marc Ferro e finaliza seu Mestrado em Cinema e História pela École des Hautes-Études/Paris VII – Sorbonne, no ano seguinte quando retorna ao Brasil e dá início à realização de seu primeiro longa-metragem, “Os anos JK – Uma trajetória política”.  Na década de 1980 lançou “Os anos JK – Uma trajetória política” , “O Mundo Mágico dos Trapalhões” e  “Jango” (1984) quando criou a sua empresa, a Caliban Produções Cinematográficas,  empresa especializada na produção de biografias históricas de cunho social.

Dirigiu a Fundação Rio (RIO ARTE) ,o Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho (Castelinho do Flamengo) e a TV Brasília, além de realizar o seriado “Anos Rebeldes”, na TV Globo. Foi Secretário de Cultura e Esporte do governo Cristovam Buarque, no Distrito Federal Assumiu ainda a Coordenação de Audiovisual para o Brasil e o Mercosul da Unesco, organismo vinculado às Nações Unidas voltado para a Educação e Cultura.

Já no século XXI, produz “Rio Republicano” e “Dr. Getúlio”, além de “Bósnia”, uma série de quatro filmes. Realiza os filmes “Marighella, Retrato falado do guerrilheiro”“Milton Santos, pensador do Brasil” e “Entrevista completa de Milton Santos”. No ano seguinte, produz “Abrindo Espaços”, para a UNESCO; “Pílulas Históricas”, e “JK – O menino que sonhou um país”. Após receber a Medalha JK – Centenário JK, do Ministério da Cultura é homenageado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro com inauguração da Sala de Cinema Silvio Tendler em São João de Meriti. Produz ainda o longa e o média-metragem “Glauber – O Filme, Labirinto do Brasil”, além de “Oswaldo Cruz – O médico do Brasil”“Fragmentos do Exílio”30 Anos do Golpe no Chile e “Paulo Carneiro: Espelho e Memória” “Memória, Paz e Inclusão Digital”, para a UNESCO.

Após ser homenageado pelo Governo de Minas Gerais pela participação na campanha pelas Diretas Já,  realiza o filme “Milton Santos – Por uma outra Globalização” e os institucionais “Correndo atrás dos sonhos”“As Redes que a Unesco Tece”“O olhar de Castro Maya”, e “Institucional IRB”.Recebeu o Prêmio Golfinho de Ouro pelo conjunto da obra, e realizou  os filmes “Memória e História em Utopia e Barbárie”“Encontro com Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá” “Memória do Movimento Estudantil”, para a União Nacional dos Estudantes.

Recebeu a Medalha Tiradentes e  uma homenagem retrospectiva no X Festival de Cinema de Paris, além do VIII Festival Santa Maria Vídeo e Cinema recebendo o Diploma de Honra ao Mérito da PUC/RJ. Lança os filmes “Utopia e Barbárie”“Preto no Branco, a censura antes da imprensa” para a TV Brasil e a série “A Era das Utopias”.  Em 2011, foi homenageado com uma Mostra de Cinema “O Documentário Segundo Silvio Tendler” . Realiza os filmes “Tancredo, A Travessia”“O Veneno está na mesa”“Matzeiva, Juliano” “Giap, Memórias Centenárias de Resistência”. E, em 2012, recebeu o Prêmio Parceiros da Paz e da Sustentabilidade 2012 – 2016, sendo ainda homenageado no Festival do Audiovisual Luso Afro Brasileiro, FestFilmes, e realiza a série “Caçadores da Alma II”.

Em 2013, foi homenageado pelo Talento em traduzir a identidade brasileira, pela COPPE-UFRJ e no Festival Internacional de Biografias,  recebeu também o Título de Cidadão de Niteró. No mesmo ano, ganha a Medalha Chico Mendes de Resistência, concedida pela ABI e realiza os filmes “Sujeito Oculto na Rota do Grande Sertão” “O Brasil na Terra do Misha”. Recebeu ainda o Troféu Fundação Memorial da América Latina, do IX Festival de Cinema Latino Americano de São Paulo e realiza os filmes “Agricultura Tamanho Família – Uma alternativa ao agronegócio”“J. Carlos – O Cronista do Rio”“O Veneno está na Mesa II”“Militares da Democracia: os militares que disseram Não”“Os Advogados contra a Ditadura: Por uma questão de Justiça” e “Privatizações: a Distopia do Capital”; além das séries “Brasil Místico”“Os Advogados contra a Ditadura” e “Militares da Democracia: As histórias dos militares que resistiram ao golpe de 64”.

Em 2015, lançou os filmes “Parir é natural” e “Haroldo Costa – O Nosso Orfeu”, além da série “Há muitas noites na noite”. Em dezembro daquele ano, Silvio recebeu, o “Prêmio Noticiário ICAIC”, por sua obra e, sobretudo, por ter dedicado sua vida inteira à Revolução Latino-americana e por sua aproximação com os artistas e a cultura cubana, em especial com Santiago Álvarez.  Entre 2015 e 2019, Silvio Tendler produziu as séries “Sonhos Interrompidos”“Caçadores da Alma III” e “Brasil, Travessias”; oito longas-metragens, “Alma Imoral”“Há muitas noites na noite”“Sonhos Interrompidos”“Dedo na Ferida”“Fio da Meada”“Ferreira Gullar, Arqueologia do Poeta”“Santiago das Américas ou o olho do Terceiro Mundo”“Ibiúna, Primavara Brasileira”, e o curta “Castro Maya”. Em 2020, lançou “Em Busca de Carlos Zéfiro” e “Nas Asas da PanAm”,“Chico Mário” e a série “Arte Urbana”. Fez ainda “Nas asas da Panam”.

Seu último filme, o documentário A bolsa ou a vida (2021) tem participação especial de Fernanda Montenegro e Renato Borghi e o roteiro mostra o futuro pós-pandemia da covid-19 e a centralidade que será o cassino financeiro e a acumulação de riqueza por uma elite ou uma vida de qualidade para todos, com menos desigualdade? Como garantir a vida sem direitos sociais e trabalhistas? Em qual modelo de sociedade queremos viver? O filme aborda o desmonte do conceito de bem-estar social e nos faz refletir sobre a incompatibilidade do neoliberalismo com um projeto humanista de sociedade. Desfilam por “A Bolsa ou a Vida” desde Ailton Krenak e Mauro Morelli Rita Von Hunty e o Padre Julio Lancellotti,
Filme.
A bolsa ou a vida começa com um texto de Sílvio Tendler: “Vivemos em um país com um governo que asfixia Educação, Ciência, Cultura e Arte. Uma política econômica irresponsável aumentou o desemprego. Dos 206 bilionários brasileiros, 48 são do setor financeiro e não produzem nada além de papéis. A previsão é de mais de 1 milhão e duzentos mil miseráveis este ano. A brutalidade dos nossos tempos é visível nas ruas, onde famílias que antes tinham casa tentam sobreviver. Enquanto o governo incita a guerra civil e conta com mais de 500 mil mortos pela Covid-19.Sem remorsos, sindicatos, entidades de classe e trabalhadores da Cultura produziram, de forma colaborativa, este filme-manifesto, documento de uma época. Agradeço aos nossos parceiros pela liberdade com que pude trabalhar. Toda a responsabilidade por esta obra é minha e da produtora Caliban. Brasil, julho de 2021, Silvio Tendler”.

Convidados

Os entrevistadores de Silvio Tendler são: a escritora e jornalista Cristina Serra, articulista da Folha de São Paulo. Trabalhou no Jornal do Brasil e na TV Globo por 26 anos quando foi correspondente em Nova York. Escreveu ainda os livros Tragédia Em Mariana: a História do Maior Desastre Ambiental do Brasil A Mata Atlântica e o mico-leão dourado.

E ainda o jornalista Ricardo Cota que por mais de 20 anos foi o curador da Cinemateca do MAM e a jornalista e produtora cultural Zezé Sack, da Comissão da Cultura e produtora do Cineclube Macunaíma da ABI. Ela trabalhou também no Sem Censura da antiga TVE.

 

 

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