Sede do jornal Tribuna da Imprensa padece com a má conservação


Por Igor Waltz

27/08/2014


Parte da fachada da prédio da Tribuna da Imprensa está deteriorada (Foto:  Paulo Araújo / Agência O Dia)

Parte da fachada da prédio da Tribuna da Imprensa está deteriorada (Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia)

O prédio do jornal Tribuna da Imprensa, um dos veículos mais simbólicos da história da imprensa brasileira, está sofrendo com o abandono. A construção, localizada na região da Lapa, Centro do Rio, abrigou a publicação desde sua fundação, em 1949, pelo jornalista Carlos Lacerda, até o ano de 2008. De acordo com a Defesa Civil, que esteve no local nesta quarta-feira, 27 de agosto, o prédio não corre risco de desabamento, mas precisa de obras de recuperação.

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) lamenta o estado do edifício. A Tribuna da Imprensa é vítima da morosidade da Justiça Federal, que ainda não determinou o pagamento da indenização por danos causados ao prédio pelo atentado à bomba, em março de 1981.

O jornalista Paulo Jerônimo (Pagê), que atuou na Tribuna  e hoje é Conselheiro da ABI, lastima a situação em que se encontra o edifício. “Trata-se de um patrimônio da cidade e do jornalismo nacional. Este foi um jornal de luta que marcou época”, disse ao jornal O Dia.

De acordo com Roberto Monteiro de Pinho, colunista e procurador do diretor da Tribuna Hélio Fernandes, o jornal foi castigado financeiramente pelo atentado que destruiu sua gráfica. “Os custos para a impressão do jornal aumentaram porque o maquinário ficou irrecuperável. Desde 2008, o jornal parou de circular, o que pegou de surpresa os mais variados segmentos da sociedade. Na época, recebemos uma ligação do então Presidente Lula lamentando o fato”, explica.

Monteiro, que também é associado da ABI, afirma ainda que a Tribuna continua suas atividades online e está em negociação com um grupo de jornalistas para a retomar seus trabalhos em janeiro de 2015. “Queremos preservar a bandeira de luta e de liberdade de imprensa que pautou o periódico ao longo da sua existência”, defende.

Apesar de sua importância histórica, o prédio não é tombado. Ele já sofreu com a invasão de moradores de rua, e atualmente sua fachada é protegida por tapumes. Um projeto cultural, em estudo por Hélio Fernandes e Roberto Monteiro de Pinho, pretende preservar o ambiente onde ocorreu o atentado, mostrando para que as gerações atuais, sinais da fuligem e danos em suas paredes e teto causados pela explosão.

História

A Tribuna da Imprensa foi protagonista de importantes momentos na história política do Brasil. Foi crítica ferrenha do governo de Getúlio Vargas e do rival Última Hora, jornal de orientação varguista de propriedade do jornalista Samuel Wainer. Em agosto de 1954, publicou um editorial assinado por Carlos Lacerda no qual exigia a renúncia de Vargas, estimulando a crise que culminou no suicídio do Presidente.

Em 1961, durante o governo João Goulart, a publicação foi vendida a Manuel Francisco do Nascimento Brito, e no ano seguinte, repassada ao jornalista Hélio Fernandes. Entre 1968 e 1978, o jornal sofreu com a presença de censores dentro da redação, por sua oposição ao regime militar. Por sua postura, também sofreu um violento atentado planejado por militares linha-dura no início da década de 1980.

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