Grupo debate condições para negócios nas Olimpíadas


Por Claudia Sanches

05/05/2016


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Reinventar, dos JornalistasRJ, no auditório da ABI (Foto: Claudia Sanches)

A sétima edição do Reinventar, dos JornalistasRJ, realizada no dia 4 de maio, no auditório da Associação Brasileira de Imprensa, contou com o painel ‘Rio 2016 – O legado olímpico no jornalismo esportivo’, que debateu as possibilidades negócio às vésperas das Olimpíadas no Rio de Janeiro. Estiveram presentes o Conselheiro Altamir Tojal representando a entidade e o jornalista Ricardo Albuquerque, mediador da mesa debatedora.

Rosayne Macedo, uma das mediadoras do grupo JornalistasRJ, abriu o evento lamentando a extinção recente de mais dois jornais impressos e falou sobre o objetivo dos eventos. “Estamos aqui com um foco: buscar saídas e não discutir a crise. Lembro que todos podem colaborar com sugestões de palestrantes, temas ou depoimentos. A ideia dos encontros presenciais é a aproximação das pessoas”, comentou.

Átila Santos, que mantém atualmente o blog ‘Errinhos & Dicas’ e ministra o curso Edição de Texto para Jornalismo Esportivo em TVs aberta e a cabo, falou sobre sua carreira como uma eterna reinvenção, mas lembrou que nunca abriu mão do que gosta de fazer. “Acredito que nós devemos fazer o que amamos porque é o que fazemos bem. Sou um bom editor de texto e de televisão. Então vou bater em várias portas fechadas com essa proposta”, disse.

Saindo do óbvio

Cristina Dissat, editora do site da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, criou o blog Fim de Jogo em 2004, para unir a paixão pelo futebol aos negócios. Ela divulga informações sobre as condições do estádio em tempo real nos jogos, principalmente da entrada e saída dos eventos. Com esse trabalho no blog, a repórter garante que ganha credibilidade, visibilidade e divulgação. Para ela, o caminho é o jornalismo regional, com investimento em temas de forma diferenciada. “O jornalismo hoje é hiperlocal. Minha sugestão aos jornalistas que ainda não conseguiram uma oportunidade para os jogos olímpicos é: criem seu blog que possa ofertar alguma informação diferenciada. Transmita o que a televisão não divulga. Precisamos sair do óbvio. E faça um trabalho de divulgação nas redes sociais para compartilhar o que você está fazendo”, aconselhou. Durante o encontro Cristina anunciou seu projeto, o Tour dos Clubes. A ideia, inédita na cidade, é levar visitantes aos estádios de futebol na cidade do Rio de Janeiro.

O professor Fábio Tubino da Universidade Estácio de Sá acredita que o mercado ainda é carente da cultura do DSC00952esporte e de profissionais bem qualificados na área. “O esporte é um dever do Estado e direito de todo o cidadão. Os profissionais precisam conhecer mais a sua história, os símbolos olímpicos, o uso político e ideológico das Olimpíadas através da trajetória dos povos. O mercado pede um profissional preparado, compacto, multiplataforma. Temos que repensar a qualificação e capacitação do jornalista”.

Gerente de Comunicação da Confederação Brasileira de Voleibol, Roberto Falcão falou sobre o trabalho no jornalismo após os jogos olímpicos no Rio. Ele, que atuou como gerente na área de Imprensa em comitês organizadores (Jogos Pan-americanos Rio 2007, Jogos Mundiais Militares Rio 2011, sabe que a saída desses empregos são, muitàs vezes, “traumáticos”, já que são temporários.“Vai haver um momento de desaceleração do esporte por isso precisamos buscar renovação. Podemos pensar no esporte em termos de cobertura, mas também como meio de inclusão social, no esporte ligado à área de saúde e educação. Não temos que deixar de produzir conteúdo mas devemos pensar de forma mais abrangente, sempre a partir da nossa experiência e habilidades profissionais”.

Outro destaque foi a experiência Sérgio Carvalho que falou sobre os negócios esportivos na mídia. O jornalista com pós-graduação em Marketing, e apresentador do programa ‘O Negócio é Esporte’, sobre marketing esportivo, garante que é fundamental pensar jornalismo e publicidade de forma conjunta,  já que a divulgação de conteúdo depende de faturamento. Além disso, o jornalista precisa atuar em todas as áreas.  “Os profissionais da minha geração não foram formados para o empreendedorismo. Precisamos olhar o jornalismo também como um negócio. Outra questão são as redes sociais. Meu programa começa na rádio, mas continua na internet”, disse ele, que defende que o jornalista deve investir também no esporte como grandes eventos: “Num jogo de futebol podemos explorar o local e os acontecimentos da cidade, como nos eventos de basquete e luta nos Estados Unidos”.

Esporte: trabalho e paixão

Sergio Pugliese concluiu o painel com o tema como criar projetos inéditos em esportes. O repórter, hoje sócio da Approach, é autor do blog ‘A Pelada como ela é’, no Globo Online, com histórias curiosas e engraçadas de peladeiros.

Pugliese orientou como os jornalistas podem, com pouco investimento e muita criatividade, fazer algo divertido na área do esporte. Porem, lembrou que a sua iniciativa, como qualquer outra, não é nada fácil e demanda trabalho. “Para realizar algo que dê certo deve haver comprometimento com o projeto. Fiz pesquisas, entrevistas e gravações em lugares distantes na cidade atrás das histórias. A informação nunca vai acabar. O que mudam são as plataformas. Há sempre algo acontecendo num bairro ou cidade que pode ser relatado em tempo real. O esporte é uma área que mexe muito com a emoção das pessoas”, conta Pugliese, que certa vez levou o jogador Petcovic para assistir, num bar no Grajaú, o gol que marcou a história de sua carreira. “Houve fila de 200 pessoas”, recorda.

A oitava edição do Reinventar será realizada no dia 18 de maio, com o tema “Colaboradores sociais”, para profissionais de mídia que procuram espaços em ONGs e projetos sociais.

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