Repórter Record ganha Prêmio Exxonmobil
Especial de Telejornalismo


Por Claudia Sanches

20/10/2015


população quilombola

Moradora do Quilombo, que fica a 300 km do Distrito Federal: personagem da reportagem “As Eternas Escravas” (Foto: Reprodução)

 

Com a exibição da reportagem As Eternas Escravas, o Repórter Record Investigação ganhou nesta segunda-feira (19), o mais importante prêmio do jornalismo brasileiro, o Prêmio Exxonmobil Especial de Telejornalismo 2015.

Os profissionais premiados pelo trabalho são Domingos Meirelles, apresentador do Repórter Record, e presidente da Associação Brasileira de Imprensa(ABI), Gustavo Costa, Lúcio Sturm, Marcelo Magalhães, Michel Mendes, Valmir Leite, Caio Laronga, Natália Florentino e Rafael Ramos.

A equipe de reportagem, que durante dois meses permaneceu dentro do quilombo localizado a 320 km de Brasília, conheceu a fundo a vida de moradores que são vítimas de uma realidade rodeada por abuso sexual e exploração do trabalho infantil. Sem acesso a água, luz e educação o grupo ainda vive como se estivesse no século 19.

O editor do programa Marcelo Magalhães contou que, apesar de já conhecerem outras realidades dramáticas, toda a equipe se impressionou com o que encontrou no quilombo, considerado patrimônio da humanidade, que fica no Centro-Oeste do País.

— Há 200 anos, os antepassados dessas meninas fugiram para esta região justamente porque eles queriam escapar da exploração, da falta de liberdade, dos abusos, ou seja, de tudo o que envolvia a escravidão. Se a gente parar para pensar que 200 anos depois, em pleno século 21, as descendentes desses escravos estão passando pela mesma coisa, é muito simbólico.

Para que a reportagem fosse exibida pelo Repórter Record Investigação, a equipe precisou vencer obstáculos. Sturm detalhou as complicações que foram vencidas, como a localização geográfica. Para se ter ideia, o quilombo é do tamanho da cidade de São Paulo, mas todo em estrada de terra, então o acesso é muito difícil. A equipe levava em média três horas para se deslocar de um vilarejo para o outro. Isso tudo sem telefone porque você não tem como ligar, já que eles não os possuem. A vida lá dentro do quilombo é como no século 19, já que não tem energia elétrica, eles nunca viram televisão. As casas são de pau a pique. Famílias andam de 5 a 6 quilômetros para chegar ao hospital mais próximo.

Após a exibição da reportagem, uma CPI foi criada pela Assembleia Legislativa de Goiás para apurar as denúncias. Assim como aconteceu em matérias anteriores, Magalhães adiantou que o Repórter Investigativo Record pretende saber até onde irão as investigações.

A matéria é um trabalho produzido pelo Núcleo de Reportagens Especiais da Record, que tem como chefe de redação Rafael Gomide e editor-chefe Pablo Toledo. O programa, que vai ao ar todas as segundas após meia noite, é apresentado pelo jornalista Domingos Meirelles.

Jornalismo investigativo no Brasil

O jornalista Lúcio Sturm acredita que o Brasil possui vários profissionais de comunicação interessados neste tipo de apuração.

— Nessa área, tem bastante gente que se importa com essas questões e muitos profissionais competentes que fazem um trabalho fantástico.

Magalhães, por sua vez, ressaltou o trabalho de colegas de profissão e listou outras conquistas do Repórter Record Investigação.

— Existe no Brasil grande espaço para quem quer trabalhar com Jornalismo Investigativo. Muitos colegas fazem reportagens excelentes, tanto que os dez finalistas do prêmio Exxonmobil são reportagens fantásticas, mas o Repórter Record Investigação busca cada vez mais ocupar um espaço de destaque e liderança nesse sentido. Esse prêmio é um sinal da conquista desse espaço. A reportagem As Eternas Escravas gerou interesse por parte da imprensa internacional, como explicado por Magalhães.

Assista à reportagem que ganhou o Prêmio Exxonmobil de Telejornalismo 2015:

 

Vencedores do prêmio

jornal-extraUm júri composto por jornalistas, professores universitários e profissionais de comunicação selecionou os trabalhos finalistas que concorreram a 14 premiações da 60ª edição do Prêmio ExxonMobil de Jornalismo. Na edição de 2015 foram inscritos 1.021 trabalhos e os vencedores foram divulgados nesta segunda-feira, 19.

Estima-se que mais de 33 mil trabalhos já tenham sido submetidos ao julgamento das comissões, transformando a premiação na mais importante, tradicional e disputada da imprensa brasileira.

A ExxonMobil, que comemora este ano 103 anos de atuação no Brasil, patrocina a premiação há 60 anos ininterruptos.

 

Melhores de 2015

Para selecionar os trabalhos finalistas de 2015, as diversas comissões examinaram 512 reportagens e séries de reportagens impressas; 151 trabalhos fotográficos; 284 trabalhos de criação gráfica (Jornal, Revista e Primeira Página) e 71 trabalhos de telejornalismo.
Os valores das premiações destinados aos vencedores totalizaram na atual edição R$ 123.200.

A cerimônia de premiação está marcada para o dia 12 de novembro, no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

Em capa histórica, o jornal Extra do Rio ganha o prêmio Especial de Primeira Página. A reportagem compara situação atual do País ao período da escravidão, e faz dura crítica a grandes contingentes da sociedade brasileira, inclusive da imprensa, que aplaudem justiçamentos com as próprias mãos.

Diário do Nordeste

Diário do Nordeste do Ceará ganha Prêmio de Criação Gráfica – categoria jornal

 

Premiações

É a seguinte a relação completa dos vencedores do Prêmio ExxonMobil de Jornalismo 2015 – 60 anos:

Prêmio de Jornalismo

Paulo Saldaña, Rodrigo Burgarelli, José Roberto de Toledo, com o trabalho Farra do Fies, publicado no jornal O Estado de S. Paulo.

Prêmio de Telejornalismo

Para a reportagem As Eternas Escravas, transmitida pelo programa Repórter Record Investigação, da Rede Record.

Prêmio de Reportagem

Com o trabalho Anda e para, publicado no jornal O Globo.

Prêmio de Fotografia

Com o trabalho Lava jato planalto, publicada no jornal O Estado de S. Paulo.

Prêmio de Informação Econômica

Para o trabalho O Brasil cai na real, publicado no Correio Braziliense.

Prêmio de Informação Científica, Tecnológica ou Ambiental

Para o trabalho Líquido e incerto – o futuro dos recursos hídricos no Brasil, publicado na Folha de S. Paulo.

Prêmio de educação

Para o trabalho Educar em áreas de conflito, publicado no jornal O Globo.

Prêmio Especial de Primeira Página

Para o trabalho Do tronco ao poste, publicado no Extra.

Prêmio de Criação Gráfica – categoria jornal

Para Quinze, publicado no Diário do Nordeste (CE).

Prêmio de Criação Gráfica – categoria revista

Para o trabalho Especial Vagina, publicado nas revistas TRIP e TPM.

Prêmio Regional Norte/Nordeste

Para o trabalho Documento Suape 2015, publicado no Jornal do Commercio (PE).

foto correio braziliense

Correio Braziliense ganha Prêmio Regional Centro-Oeste Com o trabalho Racismo, um crime silenciado

Prêmio Regional Centro-Oeste

Para o trabalho Racismo, um crime silenciado, publicado no Correio Braziliense.

Prêmio Regional Sul

Para o trabalho Cicatrizes, publicado na Zero Hora.

Prêmio Regional Sudeste

Para o trabalho Favela Amazônia, publicado no jornal O Estado de S. Paulo.

Melhor Contribuição à Imprensa

A Comissão de Premiação decidiu conceder o Prêmio de Melhor Contribuição à Imprensa 2015 ao Repórter. Segundo os jurados, “o jornalismo, em qualquer plataforma que se exerça, em qualquer forma que se desdobre, depende essencial e fundamentalmente do repórter. Em tempos de dúvidas sobre para onde caminhar, redução dos quadros funcionais e diminuição de orçamentos, esta comissão decide apostar naquele que será o responsável pela continuidade e aprimoramento da excelência do jornalismo. A comissão homenageia os autores dos 1.021 trabalhos inscritos nesta edição, os milhares de profissionais que disputaram o Prêmio em 60 anos e aqueles que levarão adiante essa bandeira.”

A Comissão de Premiação de Telejornalismo concedeu à distinção de Melhor Contribuição ao Telejornalismo a pela reportagem Boyhood bolsa família, transmitida pela TV Folha.

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