Profissionais discutem alternativas no radio


Por Claudia Sanches

28/09/2016


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Grupo Reinventar dos Jornalistas/RJ

O painel “O novo radiojornalismo: como surfar nessa onda”, do 15º encontro do Reinventar Jornalistas/RJ, realizado na quarta-feira (28), na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Centro do Rio, atraiu dezenas de jornalistas que buscam uma oportunidade nesse nicho. Mediados pelo jornalista e radialista Rodrigo Maia, os palestrantes contaram como os profissionais de imprensa podem  empreender no setor, em transformação por conta da revolução tecnológica.

Durante o encontro, o Diretor de Cultura e Lazer Jesus Chediak parabenizou a iniciativa do Reinventar e falou sobre a atual conjuntura econômica e política e meios de comunicação: “Estamos vivendo um momento muito confuso. O poder saiu das mãos dos militares e entra no domínio do capitalistas. Reféns do capital financeiro os jornalistas não têm liberdade para trabalhar. O princípio da ética deve prevalecer na prática jornalística. A informação não pode ser somente um negócio”, advertiu Chediak.

O radialista Marco Aurélio de Carvalho coordenador da Unirr (União e Inclusão em Redes e Rádio) e apresentador do programa Todas as Vozes, da Rádio MEC, acredita que o rádio seja o veículo mais democrático. “O rádio, que é o mais popular dos meios de comunicação e inclui os que não enxergam, os não alfabetizados, deve continuar cumprindo a missão de não permitir  que as conquistas sociais que nós já tivemos não sejam perdidas. Uma locução bem feita entra pelos ouvidos mas aguça os cinco sentidos”, observou.

Segundo Marco Aurélio, o veículo ainda é o que tem maior capacidade de se readaptar às transformações tecnológicas. Ele alertou que o modelo das empresas de comunicação estão em crise mas que a audiência da rádio está crescendo, de acordo com dados oficiais, e os profissionais devem se adaptar. “O modelo de negócio do jornalismo está em crise mas o rádio não. Ele tem outros formatos, como os tablets e smartfones mas o meio é o mesmo. A tecnologia é apenas uma ferramenta”, enfatizou.

Marcelo Kischinhevsky, professor da Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ),  fez uma análise do rádio expandido e apontou os novos desafios da radiodifusão na era das mídias sociais. “O rádio se expandiu para muitas novas plataformas e chega ao telefone celular. Estamos vivendo um novo momento para o conteúdo radiofônico, que é a nova lógica do mercado da comunicação. Como fazer dinheiro no cenário atual é a pergunta de um bilhão de dólares para a qual ninguém tem a resposta. A paredes do estúdio caíram e o podcast revolucionou a indústria radiofônica. As práticas da chamada Rádio Social inauguram novas oportunidades de negócio, como a Radiotube e a Radioteca, experiências bem sucedidas na área. Podemos usar as novas tecnologias mas prevalece a antiga prática: apurar, escrever e falar bem. O profissional de rádio que vai prevalecer é o que dialoga”, disse Macelo.

Cadu Freitas, apresentador do programa Bate-Papo Ponto Com na Rádio MEC AM, ressaltou que o rádio não acabou e muitas oportunidades podem ser criadas no atual cenário. “O rádio sempre se reinventou. Ele não acabou com o surgimento da TV, ao contrário do que muitos teóricos profetizavam. Ele é fonte de informação, entretenimento e companhia das pessoas. A grande transformação é levar o ouvinte para dentro da rádio como faço nesse programa Bate-Papo Pronto Com, na EBC. O  grande desafio dos tempos atuais é como chegamos ao ouvinte. E ainda é com qualidade, interatividade e credibilidade, que a Internet e as mídias digitais não oferecem”, concluiu.

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