Policial dispara spray de pimenta em jornalistas durante protesto no ES


Por Igor Waltz*

06/08/2014


Policial atira rajadas de spray contra equipes de reportagem (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Policial atira rajadas de spray contra equipes de reportagem (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Durante um protesto realizado na última segunda-feira, 4 de agosto, no município da Serra, na Grande Vitória, um policial rodoviário federal disparou spray de pimenta contra equipes de reportagem da TV Gazeta e da TV Capixaba. A manifestação, que interditou um trecho da BR-101 por quase sete horas, contra os impactos ambientais de duas mineradoras instaladas na região. De acordo com as imagens gravadas, a intenção do policial era que a ação não fosse filmada.

O inspetor da Polícia Rodoviária Federal, Valdo Lemos, afirmou que a corporação vai apurar o que aconteceu no momento da abordagem. “Garanto que a PRF estará averiguando, através do setor convencional, como o trabalho foi realizado pela equipe de choque. E se houve consequências, vai estar realizando a averiguação pelos meios convencionais que nós possuímos”, disse Lemos.

Nas cenas registradas pela equipe da TV Gazeta, o policial dispara o spray três vezes contra os profissionais. Uma das pessoas que estava no local e foi atingida chegou a reclamar da atitude. “Estão jogando spray de pimenta em uma mulher e nos jornalistas”, disse um homem. Na imagem, o policial justificou dizendo que ‘estava pedindo para (a equipe) se afastar’, e que ‘também estava trabalhando’.

Em seguida o policial retornou e voltou a aspergir novamente o spray de pimenta na direção das equipes de jornalistas. Só desistiu quando o conteúdo do frasco acabou.

O protesto começou por volta das 5h20 no km 263, na altura do bairro Pitanga, na Serra. Os moradores do município pediam a saída de duas mineradoras que estão instaladas na região. De acordo com eles, a presença da empresa tem causado muita poluição e impedido a visita ao monte Mestre Álvaro, nas proximidades. Em nota, a empresa Tervap informou que trabalha dentro da legalidade; já a empresa Sobrita Construções não quis comentar sobre o assunto.

A equipe de choque da PRF foi chamada ao local para tentar liberar a pista, e houve confronto.  Bombas de gás foram atiradas contra os manifestantes , que tentaram fugir. Uma das bombas caiu dentro a casa de uma moradora. Durante a investida policial, balas de borracha também foram utilizadas.

Repercussão

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) condenou a agressão cometida. Em nota, ela disse que atos de violência como este buscam intimidar o trabalho da imprensa e são um atentado ao livre exercício do jornalismo e à democracia.

O Sindicato dos Radialistas do Espírito Santo também divulgou nota repudiando a ação da polícia rodoviária. Segundo o sindicato, a ação foi truculenta, desproporcional e também agrediu a sociedade capixaba. A Federação Nacional de Jornalistas e o Sindicato dos Jornalistas do Estado disseram que entendem que a violência contra a imprensa fere a liberdade dos jornalistas de relatar os fatos e o direito dos cidadãos de serem informados.

* Com informações do G1 e do site Gazeta Online. 

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