PM revista Jornalistas por “atitude suspeita” em SP


Por Claudia Sanches

25/01/2016


violenciacontrajornalista

Os jornalistas da Folha de S. Paulo Anna Virgínia Balloussier e Rodolfo Viana foram obrigados pelo Polícia Militar de São Paulo a ficarem ajoelhados, de rosto contra a parede e mãos entrelaçadas para trás numa rua próxima à sede do jornal, na capital paulista, nesta quinta-feira (21). 
Os repórteres teriam sido confundidos com manifestantes do Movimento Passe Livre, que organizaram ontem um protesto contra o aumento da tarifa. A manifestação foi próxima à redação do periódico, na região central da cidade.

“‘Perguntamos por que estávamos sendo enquadrados. ‘Atitude suspeita’, respondeu a policial feminina. De quê? ‘Vandalismo’”, afirmam os jornalistas.

Ao fazer uma pausa para o cigarro, os repórteres viram a correria de manifestantes e tentaram filmar o que estava havendo. Após a revista, tiveram o celular tomado pela polícia e só foram liberados após outro funcionário da Folha confirmar que eles trabalhavam no jornal. O celular, um IPhone 5S, foi devolvido após ser apreendido.

Mesmo avisando que eram funcionários do jornal e que tinham seus crachás no bolso, os repórteres foram ignorados pelos agentes, que negaram dizer seus nomes. O celular de Anna foi tomado e todos só foram liberados quando outro funcionário do jornal, questionado pelos agentes, confirmou que eles eram funcionários da Folha. Só então o aparelho foi devolvido.

Polícia Militar diz que vai analisar conduta de agentes em vídeo mostrado pela TV Folha.

Fenaj: polícia está entre os principais agressores, diz relatório sobre ano passado

Segundo relatório da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) no ano de 2015, 109 jornalistas foram assassinados no exercício da profissão em todo o mundo. No Brasil, foram duas mortes e 135 casos de violência, como agressão física e cerceamento de liberdade por via judicial. O país também registrou assassinatos de cinco radialistas, dois blogueiros e dois comunicadores populares. Em 40% dos casos de violência, os agressores eram agentes do Estado, principalmente policiais militares ou legislativos.

A vice-presidente da entidade, Maria José Braga, destaca que a violência contra os profissionais da imprensa aumentou de 129 ocorrências em 2014 para 137 em 2015. “O mais triste é o aumento do número de casos em relação ao ano anterior. É lamentável que esse grande número de casos de agressão ainda ocorra e que, em vez de diminuir, o número aumente. Isso é um problema e nós precisamos estar atentos, assim como as autoridades e a sociedade precisam estar atentas. Nós não admitimos nenhuma justificativa para agressão a jornalistas”.

Fonte: Folha de S.Paulo

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