2 de outubro de 2022


Patrícia Campos Mello ganha prêmio Maria Moors Cabot


16/07/2020


A repórter Patrícia Campos Mello (Folha de S.Paulo)

A repórter Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, foi premiada com o Maria Moors Cabot de 2020, por sua carreira como repórter e pelo seu trabalho investigativo. É a premiação mais relevante  concedida pela Universidade de jornalismo de Columbia, nos Estados Unidos, a jornalistas estrangeiros. Em carta, o presidente da ABI, Paulo Jeronimo, parabenizou a jornalista pela conquista e pelo trabalho que vem desenvolvendo na Folha de S.Paulo.

Também receberam o prêmio os jornalistas Ricardo Calderón Villegas (Colômbia), e os norte-americanos Stephen Ferry e Carrie Kahn.

Durante a premiação, a Universidade Columbia afirmou que, “ao longo de sua carreira, Patrícia produziu de maneira consistente trabalhos excepcionais que tiveram grande impacto no Brasil, onde ela inspira outros jornalistas”.

“Honra imensa receber o prêmio Maria Moors Cabot da Columbia University. Recebo em nome dos jornalistas brasileiros, em especial as mulheres, que fazem seu trabalho, apesar da intimidação”.

TRAJETÓRIA

Formada em jornalismo pela USP e mestre em Business and Economic Reporting pela NYU, Patrícia esteve diversas vezes na Síria, Iraque, Turquia, Líbia, Líbano e Quênia fazendo reportagens sobre os refugiados e a guerra. Foi também a única repórter brasileira que, em 2014 e 2015, cobriu a epidemia de ebola em Serra Leoa.

É autora de “Lua de Mel em Kobane”, publicado pela Companhia das Letras em 2017. Recebeu diversos prêmios, como o Prêmio de jornalismo digital Rei da Espanha, em 2018, e o Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa, concedido em 2019 pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Patrícia idealizou o projeto “Um Mundo de Muros“, vencedor do Grande Prêmio Petrobras de Jornalismo, o principal do país, publicado de junho a setembro de 2017 pela Folha. A reportagem retrata que o muro que separa pobres de viajantes rumo ao litoral paulista se ergue, afinal, sobre o mesmo preconceito que separa refugiados somalis de quenianos.

Patrícia foi correspondente em Washington do jornal O Estado de S. Paulo e atualmente é repórter especial e colunista da Folha.

ASSÉDIO SEXUAL

Ela ganhou destaque nacional ao publicar, em 2018, reportagens sobre o financiamento de empresas a agências que realizavam disparos em massa de mensagens por aplicativos de mensagem para beneficiar candidatos às eleições – prática vedada pela Legislação Eleitoral.

Em fevereiro deste ano, Patrícia foi insultada pelo presidente Jair Bolsonaro, que fez insinuação sexual com uma expressão de duplo sentido ao se referir a uma acusação de Hans River do Rio Nascimento. Hans River é ex-funcionário da Yacows, uma das empresas que teria feito disparos na campanha de 2018. Ele disse em depoimento à CPMI das fake news no Congresso, sem apresentar provas, que Patrícia teria oferecido sexo em troca de informações para a reportagem. Ela nega.

Sobre as declarações de Hans River, Bolsonaro afirmou: “Ela queria um furo. Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim”, disse o presidente. Ao usar a expressão, o presidente enfatizou o duplo sentido da palavra quando se referiu à jornalista.

O PRÊMIO MARIA MOORS CABOT

O Maria Moors Cabot foi criado em 1938. Passou a ser entregue no ano seguinte, em 1939. É o prêmio de jornalismo mais antigo do planeta. A faculdade de jornalismo da Universidade Columbia faz a curadoria das premiações, cujo prestígio rivaliza com o Pulitzer, concedido pela mesma instituição.

O jornalista Fernando Rodrigues, diretor de Redação do Poder360, recebeu o prêmio em 2018. Antes dele, outros jornalistas e publishers brasileiros homenageados foram Assis Chateaubriand, Carlos Lacerda, Paulo Sotero, Roberto Marinho, Roberto Civita e Otavio Frias Filho. Mais recentemente, o prêmio foi entregue aos jornalistas Rosental Calmon Alves, Clóvis Rossi, Dorrit Harazim, José Hamilton Ribeiro, João Antonio Barros, Mauri Konig, Merval Pereira e Miriam Leitão.

Segundo informa a página do Prêmio Cabot, os escolhidos devem ser pessoas reconhecidas por sua atividade “excepcional e corajosa e que tenha impacto na sociedade” e com uma “carreira longa e relevante”. A premiação também considera os profissionais que apresentam uma “contribuição sustentável para o entendimento interamericano por meio da cobertura que fazem das Américas (…) e jornalistas que tiveram papel importante em defesa da liberdade de expressão”.

O prêmio Maria Moors Cabot foi criado em 1938 pelo empresário Godfrey Lowell Cabot. Ele fundou a Cabot Corporation, em 1882 em Boston, no Estado de Massachusetts, nos EUA. Filantropo, Cabot foi 1 importante colaborador do MIT e da universidade Harvard. A homenagem para jornalistas foi idealizada em memória da mulher de Cabot, Maria Moors Cabot.

Desde o seu início, o prêmio teve a curadoria e foi concedido pela Universidade Columbia, de Nova York.

O presidente da ABI Paulo Jeronimo parabeniza a jornalista pela premiação 

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