Mais cinco profissionais de imprensa são sequestrados pelo Estado Islâmico


Por Kika Santos *

27/10/2014


Steven Sotloff

Novas ações do grupo radical Estado Islâmico (EI) estão sendo orquestradas contra jornalistas. Desta vez outros cinco profissionais de imprensa foram sequestrados na cidade de Mossul, no Norte do Iraque. A notícia é do chefe do Comitê Iraquiano de Defesa dos Direitos dos Jornalistas, Ibrahim Serayi. “A preocupação do Comité aumenta dia a dia, devido às detenções, perseguições e assassínios que sofrem alguns dos profissionais do jornalismo”, reforçou Serayi.

Dois repórteres, irmãos, Ahmed e Izar Rafea, foram levados de dentro de casa, na zona de Sumer, sul de Mossul. Já o operador de câmera, Yaser al-Qaisi, também foi sequestrado juntamente com os dois irmãos. Mais tarde, integrantes do EI levaram o técnico da mesma emissora de tv, Yaser al-Hash Ahmed. Além destes , desapareceu o jornalista, Drid Abu Shahed.

De acordo com a agência de notícias internacionais EFE, ainda não se sabe o local exato para onde as vítimas foram conduzidas e mantidas em cativeiro. Todos os sequestrados trabalham para a emissora de TV local Semá, inaugurada há quatro anos e que mantém vínculos com o governo.

Em agosto e setembro deste ano o grupo EI decapitou os jornalistas americanos James Foley e Steven Sotloff, mantidos reféns desde 2012. A outra vítima foi o cinegrafista Raad al-Azzawi.

Jornalista reaparece em vídeo

O jornalista britânico John Cantlie reapareceu esta semana em um novo vídeo publicado pelo EI. Desta vez o repórter revela que prisioneiros do grupo militante que já tentaram fugir foram punidos com sessões de simulação de afogamento.

Cantlie, que tem 43 anos e está sequestrado desde 2012, também comenta no vídeo sobre como os reféns são tratados pelo EI e ainda diz que novas mensagens estão por vir. Esta última gravação, com duração de cerca de seis minutos, foi divulgada depois que seu pai faleceu, vítima de pneumonia,na última semana. A irmã de Cantlie, Jessica Cantlie, anteriormente havia falado sobre o sequestro e implorado aos jihadistas que retomassem contato com a família para iniciar um diálogo.

No vídeo,retirado do You Tube e exibido pelo canal do TV BBC, o jornalista parece ler um texto em que critica a postura do governo britânico para negociar com o grupo radical. “Sentimos que estamos presos entre vocês e o governo dos Estados Unidos, e estamos sendo punidos.”

Segundo o jornal americano The New York Times,  os jornalistas americanos, James Foley e Steven Sotloff, foram executados  depois que os jihadistas constatavam que o governo não estava disposto a pagar pelo resgate. Eles eram vítimas de agressões, alimentados de forma limitada e amontoados em espaços reduzidos. Os piores tratamentos eram recebidos pelos sequestradores americanos e britânicos, tanto pela política de seus países no Oriente Médio como pelo fato de seus governos se recusarem na negociação da libertação dos repórteres.

Um dos libertados disse ao NYT que os sequestrados sabiam quais países seriam os mais dispostos a suas exigências e criaram uma ordem baseada na facilidade com a qual pensavam que podiam negociar.

As fontes revelaram ainda que três reféns espanhóis foram os primeiros a ser separados para a tentativa de negociação. O primeiro deles foi liberado em meados março, seis meses após o sequestro.
O NYT não identificou os espanhóis, mas em março o jornalista, Marc Marginedas, foi liberado após quase seis meses em cativeiro. Pouco depois também foram soltos Javier Espinosa e Ricardo García Vilanova.
John Cantlie teve passagens por vários veículos de imprensa, como os jornais The Sunday Times, The Sunday Telegraph e Agência France-Presse.

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