Os sonhos do guerreiro Darcy Ribeiro


07/11/2008


Nesta quinta-feira, 6, com a exibição do documentário “Darcy Ribeiro — O guerreiro sonhador”, o Cine ABI prestou homenagem ao grande antropólogo e educador. O documentário integra a série “Grandes brasileiros”, de Fernando Barbosa Lima, Presidente do Conselho Deliberativo da ABI morto em setembro último.

Depois do ciclo A Imprensa no Cinema, que apresentou grandes clássicos do cinema mundial que têm o jornalismo como tema, Jesus Chediak, Diretor de Cultura e Lazer da Associação, decidiu retomar a programação de títulos nacionais:
— Passada as comemorações do centenário da Casa e do bicentenário da Imprensa Régia, o Cine ABI volta com sua proposta de apresentar filmes que suscitem reflexão e discussão sobre a realidade brasileira. Hoje, exibimos “Darcy Ribeiro — O guerreiro sonhador”, do nosso saudoso Fernando Barbosa Lima. Nas próximas semanas, iremos apresentar outros filmes da série criada por ele, que também focalizou Tancredo Neves, Barbosa Lima Sobrinho, Ziraldo e Sérgio Cabral.

Pouco antes de o filme começar, Paulo Henrique Santos, freqüentador do Cine ABI, falava de sua admiração por Darcy Ribeiro:
— É meu ídolo. Lembro do lançamento de um de seus últimos livros, “O povo brasileiro — A formação e o sentido do Brasil”. Fiquei horas na fila para que ele autografasse um exemplar e tirasse comigo uma foto, que guardo com carinho até hoje. O evento foi na Casa França-Brasil e também estava lá o Brizola, que tropeçou e só não caiu no chão porque se apoiou em mim.

 Darcy dá seu depoimento

Humanidade

Paulo destacou também a singularidade de Darcy no cenário nacional e elogiou o documentário:
— O filme veio provar a perda irreparável que a morte dele representou para o povo brasileiro. Até hoje não existe no País um intelectual com a grandeza e a visão humanista que ele tinha. No filme, Darcy diz que se humanizou graças aos índios, que até hoje sofrem com o desrespeito do Estado. Como político, também foi muito importante, principalmente com a criação da Universidade de Brasília e da Universidade Estadual do Norte Fluminense, na qual desenvolveu tecnologia para a prospecção de petróleo em Campos. Ele será sempre uma lição de dignidade e humanidade.

“Darcy Ribeiro — O guerreiro sonhador” aborda a vida e a obra do etnólogo, antropólogo, político, educador e escritor e seu legado para o Brasil, como o Parque Nacional Indígena do Xingu, que ajudou a criar juntamente com os irmãos Villas Boas. No documentário, Darcy fala da iniciativa: “Lembro que, em conversa com o Getúlio (Vargas), propus a demarcação de um grande parque para preservar a natureza original da região do Xingu para os netos dos netos dos nossos netos, onde todas as tribos dali pudessem conviver em harmonia com a natureza sem devastá-la, ao invés de demarcar um pedaço de terra para cada tribo. Ajudar a criar o Parque Nacional do Xingu foi o que mais me orgulhou na vida.”

Paulo Valério de Almeida Torres, também presente à sessão, destacou a abnegação de Darcy para concretizar seus sonhos:
— Foi um idealista que tentou, ao longo de toda a sua vida, realizar seus projetos como educador e antropólogo no louvável trabalho que desenvolveu junto aos índios.

Na próxima quinta-feira, dia 13, às 18h30, o Cine ABI segue apresentando a série de documentários “Grandes brasileiros”, com “Tancredo Neves — O mensageiro da liberdade”. A sessão tem entrada franca.

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