Os encantos da cidade maravilhosa


21/05/2010


Com um olhar particular sobre a cidade do Rio, o fotógrafo Custódio Coimbra lançou, através da Editora Reptil, o livro “Rio de Cantos 1000”. A publicação artística é uma seleção de 96 fotografias, feitas desde 1998, que reproduzem os principais cartões postais da cidade, vistos por um ângulo diferente. Junto delas, encontram-se textos e letras de músicas que ajudam a caracterizá-las.

“Rio de Cantos 1000” é um projeto de arquivo, que reúne fotos selecionadas de três exposições. Uma delas foi “Baía de Guanabara, espelho do Rio”, realizada em 2000, no antigo Museu do Telephone, atual Oi Futuro. Em seguida veio a mostra “Rio cidade água”, com fotos das bacias hidrográficas, que foi montada na Galeria Funarte do Palácio Gustavo Capanema. A terceira exposição foi exibida no Centro Cultural dos Correios e chamava-se “Diário do Rio”. Paralelamente, Custódio foi convidado para expor o mesmo trabalho no Maison des Amériques Latines, em Paris. Rebatizado de “Le Brésil à la Une”, a exposição fez parte das comemorações do Ano do Brasil na França.

Nestas exposições, Custódio Coimbra relatava tanto o belo, quanto a degradação da cidade, como por exemplo a ocupação desordenada e o assoreamento da Baía de Guanabara. Por ser um projeto inicialmente encomendado para ser distribuído pela Secretaria Municipal de Turismo, o livro apresenta apenas a beleza do Rio.

O fotógrafo e a jornalista Cristina Chacel montaram o projeto editorial e dividiram o livro em seis capítulos. O primeiro se chama “Cidade arte” e contém muitas imagens de paisagens panorâmicas, mostrando todo o esplendor natural desta verdadeira obra de arte. O segundo, “Cidade memória” reúne imagens de lugares que se tornaram referência e ajudam a contar um pouco da História da cidade do Rio de Janeiro. “Cidade Signo” é um apanhado dos mais conhecidos cartões-postais da cidade, onde encontram-se os principais símbolos turísticos, como o Corcovado e as praias.

Os elementos que compõem a cidade, como pedra, água e mata aparecem no capítulo “Cidade solo”. O dia-a-dia do Rio, sua agitação e urbanização estão registrados em “Cidade que se move”, capítulo repleto imagens de viadutos, pessoas, carros e toda a movimentação da metrópole. Por último, “O Rio uma vez por ano”, reúne fotografias de festas como carnaval, reveillon e os eventos em homenagem a Iemanjá e São Jorge. Ao conversar com o ABI Online, Custódio afirmou que a escolha de São Jorge — ao invés do padroeiro da cidade, São Sebastião — se deu pela popularidade deste santo que é muito festejado, principalmente na Zona Norte.

Sobre a importância deste livro em sua vida, o fotógrafo destacou que é seu primeiro projeto editorial. Uma referência para o seu trabalho, além de ser também uma garantia para que as imagens que registra tenham durabilidade, já que na tarefa diária como fotojornalista do Globo produz em grande quantidade, mas muitas fotos acabam se perdendo.

Custódio ainda relatou que o objetivo do trabalho a rigor seria turístico, porém, ele conseguiu ir muito além, trabalhando o seu olhar particular sobre a cidade, com ângulos que demonstram como o profissional a sente.
— Mesmo com todo o seu processo de degradação social e ambiental, a cidade continua mostrando seu lado majestoso, afirmou.

A aproximação de Custodio José Bouças Coimbra com a fotografia teve início aos 11 anos de idade, quando começou a fotografar num clube de fotografia fundado por seus irmãos mais velhos, em Quintino (Subúrbio).

Em 1978, o jornal alternativo O Repórter publicou sua primeira foto, uma imagem feita em frente à sede do jornal O Dia, retratando menores vendendo jornal. De lá, ele foi para a Última Hora, que publicava fotos de uma página inteira, foi então que uma dessas fotografias despertou a atenção do Jornal do Brasil, onde trabalhou de 1984 a 1989 e depois se transferiu para o Globo e onde está até hoje.

Custódio, ainda recebeu o Prêmio Esso de Contribuição à Imprensa e o Grande Prêmio Ayrton Senna, na categoria jornal. Também foi responsável, em 1985, pela cobertura da morte de sete pessoas pisoteadas durante o enterro de Tancredo Neves, em Belo Horizonte. Ele foi o único que conseguiu fotografar o episódio e suas imagens foram transmitidas para mais de sete mil jornais em todo o mundo. Nos Estados Unidos, seis em cada dez veículos publicaram uma das fotos.

* Estagiária do ABI Online.

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