7 de outubro de 2022


Obama fala em lei para proteção de jornalistas


Por Igor Waltz*

16/05/2013


Obama quer restaurar projeto de lei de 2009 que dá mais segurança a jornalistas que se recusam a identificar suas fontes. (Crédito: Charles Dharapak/AP)

Obama quer restaurar projeto de lei de 2009 que dá mais segurança a jornalistas que se recusam a identificar suas fontes.
(Crédito: Charles Dharapak/AP)

Em meio à pressão provocada pelo dilema entre segurança e liberdades civis nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama, buscou nesta quarta-feira, 15 de maio, restaurar uma lei de 2009 que protege os jornalistas e que dá maior segurança aos profissionais que se recusam a identificar suas fontes.

A manobra de Obama ocorre dois dias após a divulgação de um escândalo de arapongagem envolvendo o governo dos EUA e a agência de notícias Associated Press – AP. A lei para a Livre Circulação da Informação foi aprovada por consenso bipartidário no Comitê Judicial do Senado em dezembro de 2009, mas nunca chegou a ser votada no Senado.

Na última terça-feira, 14 de maio, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, veio a público afirmar que Obama acredita na proteção dos direitos dos jornalistas e apoia a “irrestrita liberdade” para a realização do jornalismo investigativo.

A administração do presidente Barack Obama vem investigando com muita frequência o vazamento de informações classificadas como sigilosas. Mas normalmente o governo entra em contato com as agências de notícias antes, abre uma negociação e pede os registros. Segundo a Associated Press, dessa vez, isso não aconteceu.

A apropriação dos registros telefônicos dos jornalistas da AP se deu em razão de uma investigação sobre vazamento de informações. Anteriormente, acreditava-se que o procurador-geral, Eric Holder, teria ordenado ao Departamento de Justiça que se apropriasse dos registros, mas Holder negou envolvimento no caso.

Holder disse que a ordem para a quebra de sigilo telefônico da agência veio do vice-procurador-geral, James Cole. Ele ainda defendeu a ação afirmando que as informações que vazaram estão relacionadas a um assunto “muito grave” que “põe os americanos em risco”.

“Sou procurador desde 1976 e tenho de dizer que essa está entre as mais graves que eu já vi. Esse foi um vazamento muito, muito sério, e isso não é um exagero. Põe o povo americano em perigo. E tentar determinar quem é responsável por isso, na minha opinião, requer uma ação muito agressiva”, afirmou Holder.

Carney negou que a Casa Branca esteja envolvida com a apropriação dos registros telefônicos e afirmou que, apesar de acreditar na liberdade de imprensa, o governo Obama precisa garantir a segurança de informações confidenciais. “Ele também está comprometido, como presidente e cidadão, com a questão de que nós não podemos permitir que vazem informações confidenciais que podem prejudicar a segurança nacional ou indivíduos”, declarou o porta-voz.

A agência de notícias diz acreditar que a escolha dos investigadores tenha sido resultado da publicação de um artigo em que a AP revela detalhes de uma operação da CIA, que conseguiu deter um complô da Al-Qaeda em 2012 de detonar uma bomba em um avião com destino aos EUA.

*Com informações do jornal Zero Hora, revista Veja, Portal Imprensa e TV Globo.

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