6 de julho de 2022


O poeta Cacaso é tema de filme do Cine Macunaíma


15/03/2022


Cacaso na corda bamba é exibido no Cine Macunaíma

O Cineclube Macunaíma exibe hoje, a partir das 10h e até segunda -feira, o documentário Cacaso na corda bamba, de José Joaquim Salles e PH Souza, sobra a vida e obra do poeta, professor e compositor Antônio Carlos de Brito que abandona um destino próspero e se torna Cacaso, um dos líderes do movimento da poesia marginal, na luta contra a censura estipulada na época.

Ele fez mais de 40 sambas com Elton Medeiros e muitas outras músicas com Joyce Moreno, Francis Hime, Suely Costa, Edu Lobo, entre outros. O mineiro Cacaso, que se tornou carioca, morreu, precocemente, aos 43 anos de infarto fulminante. Às 19h30, haverá um debate com os diretores do longa de 2016, o cineasta Silvio Tendler, a cantora Olivia Hime, tendo Rodrigo Fonseca como mediador. Assista ao filme e o debate pelo canal da ABI no YouTube no link: bit.ly/3uZn84f.

O poeta e compositor

Cacaso nasceu em Uberaba em 13 de março de 1944 e morreu em 27 de dezembro de 1987, aos 43 anos, de infarto fulminante. Viveu no interior de São Paulo e, aos 11 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro onde estudou Filosofia e, nas décadas de 1960 e 1970, lecionou Teoria da Literatura e Literatura Brasileira na PUC-RJ. Foi ainda colaborador regular de revistas e jornais como Opinião e Movimento. Fez parte da geração mimeógrafo, criadores da dita poesia marginal, que ganhou publicidade com a antologia 26 poetas hoje, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda. Seus artigos estão reunidos em Não quero prosa, publicado em 1997.

Aos 12 anos, já desenhava caricaturas de políticos e, antes dos 20, veio a poesia, através de letras de sambas que colocava em músicas de amigos como Elton Medeiros, com quem fez mais de 40 sambas, e Maurício Tapajós. Como poeta estreou em 1967, com o livro A palavra cerzida. Em 1974, lança Grupo Escolar, pela coleção Frenesi, composta também dos livros Passatempo, de Chico Alvim, Corações veteranos, de Roberto Schwarz, Em busca do sete-estrelo, de Geraldo Carneiro, e Motor, de João Carlos Pádua.

Cacaso une-se então a outros poetas, como Chacal (Ricardo de Carvalho Duarte), formando a coleção Vida de Artista, pela qual lançou Segunda classe (em parceria com Luiz Olavo Fontes) e Beijo na boca, ambos em 1975. Depois vieram  Na corda bamba (1978), Mar de mineiro (1982) e Beijo na boca e outros poemas (1985), que reunia uma antologia poética da obra do autor. Seus livros não só o revelaram uma das mais combativas e criativas vozes daqueles anos de ditadura e desbunde, como ajudaram a dar visibilidade e respeitabilidade ao fenômeno da “poesia marginal”, em que militavam, direta ou indiretamente, amigos como Francisco Alvim, Heloísa Buarque de Hollanda, Ana Cristina Cesar, Charles Peixoto, Chacal, Geraldo Carneiro, Zuca Sardan e outros.

No campo da música, os amigos/parceiros se multiplicavam na mesma proporção: Edu Lobo, Djavan, Tom Jobim, Toquinho, Olívia Byington, Sueli Costa, Cláudio Nucci, Novelli, Nelson Angelo, Joyce Moreno, Toninho Horta, Francis Hime, Sivuca, João Donato, Eduardo Gudin e muitos mais.

Em 2002, veio a público Lero-lero, sua obra completa, incluindo, além dos livros citados, letras e poemas inéditos. O documentário biográfico Cacaso – Na Corda Bamba foi lançado em abril de 2016. Cacaso é tio do jornalista e apresentador Zeca Camargo.

Livros publicados: A palavra cerzida: 1967; Grupo escolar: 1974; Beijo na boca: 1975; Segunda classe: 1975, em parceria com Luis Olavo Fontes; Na corda bamba: 1978; Mar de mineiro: 1982. Filmografia: Cacaso na corda bamba. Documentário (2016), 88′. Direção: José Joaquim Salles PH Souza.

 

Debatedores

José Joaquim Salles – cenógrafo e diretor de arte de longas-metragens e filmes publicitários, com passagens por várias funções na produção de um filme ao longo dos anos 70, 80 e 90. Começou dirigindo curtas-metragens na segunda metade dos anos 60 e, em seguida, atuou como assistente de direção de longas. Dirigiu Cacaso na corda bamba junto com HP Souza, em 2016.

HP Souza – Formado em Cinema pela UNISUL (SC) em 2007, mesmo ano em que fundou a Cafeína Produções. Atua como produtor, montador e diretor. Em 2008, assume a direção do programa ITS, 2º lugar de audiência, levando ao ar mais de 100 episódios, pela RIC Record/SC.

Olivia Hime – a cantora, letrista e produtora musical carioca Maria Olívia Leuenroth Hime tem 14 álbuns gravados e gravou a música Profunda solidão de Cacaso e Novelli. Desde 1969, é casada com o compositor e pianista Francis Hime. Em 2000, fundou com Kati de Almeida Braga, a gravadora Biscoito Fino, da qual é diretora artística. No início de sua carreira, integrou, com Miúcha e Telma Costa, um grupo vocal que atuou em show de Vinicius de Moraes e Tom Jobim.

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