O cinema brasileiro em cartaz na ABI


04/01/2008


 Jesus Chediak

Mantendo uma tradição de mais de 50 anos da Associação Brasileira de Imprensa, o Projeto Cine ABI foi a grande vedete cultural da Casa do Jornalista no ano de 2007, com a exibição de filmes nacionais, às segundas-feiras, para uma platéia de associados, cineastas, exibidores e amantes do cinema, que freqüentaram o Auditório Oscar Guanabarino, para apreciar as sessões de cinema do projeto criado e desenvolvido pela Diretoria de Cultura e Lazer da entidade.

No momento o cinema brasileiro está de férias na Associação Brasileira de Imprensa, mas volta com força total em fevereiro com o filme “Rio 40º graus”, de Nelson Pereira dos Santos, que é considerado uma obra-prima inspiradora do Cinema Novo, movimento estético e cultural que pretendia mostrar a realidade brasileira.

O Cine ABI resgatou uma agenda cultural, que, desde a década de 1940, proporciona aos associados da Casa, colaboradores e público de maneira geral assistir, de graça, a grandes produções do cinema nacional e estrangeiro:
— O Cine ABI cultiva uma tradição de que a ABI se orgulha e que é reconhecida pelos realizadores e produtores da área cinematográfica, tanto é que as sessões organizadas pelo Diretoria de Cultura e Lazer têm contado com uma grande participação nos debates que são organizados no Auditório Oscar Guanabarino, disse o Presidente da ABI, Maurício Azêdo.

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       Nelson Pereira dos Santos

Muitas novidades estão reservadas para este ano de 2008. Com intuito de oferecer uma maior disponibilidade aos espectadores, o Cine ABI vai mudar de dia e será apresentado sempre às quintas-feiras, às 19h. Segundo o Diretor de Cultura e Lazer Jesus Chediak, o ano do Centenário da ABI também será lembrado dentro do projeto:
— Vamos fazer um período exibindo filmes temáticos. E é claro que no ano do Centenário da ABI e do bicentenário da Imprensa teremos sessões especiais em homenagem a essas duas datas históricas. Iremos passar, nos meses de março e abril, filmes que mostram a imprensa no cinema.

O cineasta Dejean Magno Pellegrin foi convidado para dar apoio a esta homenagem à imprensa. Ele participou da edição especial do Jornal da ABI, nº 316, publicado em abril de 2007, que mostra a relação entre a produção cinematográfica e o jornalismo. A reportagem foi um resultado do minucioso trabalho de Dejean, que é fã e estudioso do cinema e que tem no currículo, entre outros momentos, a criação da Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro. 

Reflexão

Música, política, a História do País, futebol, amor. Todos esses assuntos foram tema das 20 sessões do Cine ABI ao longo de 2007, cujo principal objetivo foi proporcionar debates e reflexão sobre o cinema brasileiro. O projeto, que foi idealizado por Chediak, estreou no dia 11 de junho com o filme “A paz é dourada”, de Noilton Nunes, que, ao lado de Sérgio Santeiro, é um dos curadores do Cine ABI. Nelson Pereira dos Santos, foi convidado especial da noite e relembrou os grandes eventos que presenciou no Auditório da ABI, como a campanha pela redemocratização do País e a realização do 2º Congresso Brasileiro de Cinema, nos anos 50.

“Três irmãos de sangue” — dirigido e roteirizado pela jornalista Ângela Patrícia Reiniger — teve a sua pré-estréia aberta ao público no dia 7 de agosto no Cine ABI. O documentário sobre a vida dos irmãos Betinho, Henfil e Chico Mário, foi marcado pela presença de uma grande platéia, que aplaudiu calorosamente a obra, e fez com que a emoção tomasse conta do Auditório Oscar Guanabarino.

Ângela Patrícia Reiniger

Cada sessão do Cine ABI foi muito mais do que a apresentação de um filme. Os cineastas privilegiaram o espaço que a ABI dedica à exibição de produções nacionais e compareceram em sua grande maioria: Ana Maria Magalhães trouxe “Lara” para a tela do Cine ABI; Luiz Rosemberg os curtas “Hollywood sem filtro”, “Dinheiro” e “Memórias”; Paulo Cesar Saraceni apresentou três produções: “Arraial do Cabo”, “Nosso Senhor Oxalá” e “Integração racial”. Fernando Barbosa Lima e Sônia Garcia encantaram a platéia com “Ziraldo — o eterno menino maluquinho”.

Do cineasta Sérgio Muniz foi exibido “Você pode dar um presunto legal”. O diretor Sílvio Da-Rin prestigiou a platéia após a apresentação de “Hércules 56” com um bate-papo animado, contando como foi fazer o documentário sobre o seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, em 1969. Helena Ignez trouxe o filme “O signo do caos”, do marido, Rogério Sganzerla.

Cinema Novo

Zelito Viana, um dos grandes nomes do Cinema Novo brasileiro e co-fundador da Mapa Filmes do Brasil Ltda., falou com a platéia um pouco sobre a situação da cultura e do cinema no Brasil da atualidade. 

                         The Grosby Group

                        Zelito Viana em Hollywood

Romance e traição também estiveram presentes na tela do Cine ABI com “Romance proibido”, de Adhemar Gonzaga. A produção requintada, foi ressaltada pela filha do cineasta, Alice Gonzaga. A diretora Conceição Senna compareceu à exibição de seu filme “Brilhante”, que contou ainda com a presença, na platéia, do marido, o cineasta Orlando Senna. 

A luta de Darcy Ribeiro, no início dos anos 60, para criar e implantar a Universidade de Brasília e as agressões sofridas pela UnB — desde o golpe militar de 64 até os acontecimentos de 68, quando o campus foi ocupado por tropas militares — foi mostrado em “Barra 68, sem perder a ternura”, de Vladimir Carvalho. Antes da exibição o cineasta conversou com platéia sobre o cinema nacional. 

 Cacá Diegues filmando cenas do filme

O diretor Penna Filho exibiu “Um craque chamado Divino”, que conta a trajetória de Ademir da Guia, filho do lendário Domingos da Guia. Enquanto que Cacá Diegues acompanhou a exibição do seu filme “Nenhum motivo explica a guerra”, que conta a história do grupo cultural AfroReggae, que nasceu em uma favela carioca. Walter Carvalho deu uma aula sobre cinema no dia da apresentação do seu filme “Cazuza — O tempo não pára”, com co-direção de Sandra Werneck.

Não faltou também espaço para o cinema alternativo, ou de desconstrução do FLõ, Festival do Livre Olhar, que participou com cinco curtas-metragens, mostrando que o Cine ABI tem espaço para um debate eclético. A programação do Cine ABI em 2007 foi encerrada com as exibições de “Soldado de Deus”, de Sérgio Sanz; e o filme “Presépios”, dirigido por Emmanuel Cavalcanti.

                       “Soldado de Deus”

Para Jesus Chediak a heterogeneidade da programação faz com que a discussão do cinema brasileiro se torne ainda mais ampla. O Diretor de Cultura e Lazer da ABI lembrou que foram os próprios cineastas que escolheram os filmes que foram exibidos no ano que passou:
— Foi uma forma que encontramos para homenageá-los. Mas o mais importante disso tudo é lembrar que o projeto foi criado para a reflexão do cinema nacional e também para aproximar os diretores de quem ama as produções nacionais.   

                

                    

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