Nova diretoria da ANJ toma posse em São Paulo durante Congresso


19/08/2014


presidente anj

A abertura do segundo e último dia do 10º Congresso Brasileiro de Jornais, que ocorre em São Paulo, homenageou os jornalistas Ruy Mesquita, do Grupo Estado, e Roberto Civita, do Grupo Abril, que morreram no ano passado. João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo e também vice-presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), foi o escolhido para conduzir a homenagem.

— Ambos são referências para nós na defesa e na promoção da liberdade de imprensa em nosso país — afirmou Marinho, lembrando que os jornalistas, que atuaram nos tempos da ditadura militar, enfrentaram “com coragem a censura”.

Ele salientou que Mesquita e Civita passavam sempre a “mensagem de que a liberdade de imprensa é um direito essencial aos cidadãos e a toda sociedade”. Fernão Lara Mesquita, filho de Ruy Mesquita, e Roberta Civita, filha de Roberto Civita, receberam das mãos de Marinho placas com menções honrosas.

— Democracia, jornalismo e liberdade de imprensa, sem a qual não há jornalismo, são coisas que nascem e morrem juintas. São intrinsecamente ligadas — disse, iniciando seu discurso, Fernão Lara Mesquita.

Roberta Civita lembrou da trajetória bem-sucedida de seu pai, criador da revista “Veja”, a segunda maior do mundo com tiragem de 1 milhão de exemplares.

— Meu pai foi um homem que viveu intensamente os temas deste encontro: ruptura, inovação e avanço. Sempre com um único objetivo: divulgar conteúdo relevante, confiável, ético e confiável — afirmou.

Também durante a abertura, Catalina Botero, relatora de Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos, recebeu o Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa 2014. Em discurso caloroso, Catalina agradeceu a “coragem” dos jornalistas que revelam tramas de corrupção ou graves violações de direitos humanos. Ela também salientou a importância da Comissão na qual é relatora para a manutenção e garantia da liberdade de imprensa no continente sul-americano.

— Essa relatoria se justifica porque defende a imprensa aberta e livre. Se justifica para defender essa espécie particular e imprescindível de literatura diária, que surge da paixão e da honestidade de jornalistas — afirmou.

A relevância da imprensa escrita, que, para Catalina, é responsável por inquirir e contar histórias que requerem árdua investigação, submetidas a rigorosos princípios, também foi citada pela relatora. Ela disse não acreditar que “a imprensa escrita será substituída por meio que publicam 140 caracteres”.

A nova diretoria da ANJ foi empossada antes das homenagens. O atual presidente da associação, Carlos Fernando Lindenberg Neto, foi escolhido para seguir no cargo pelos próximos dois anos. Ele salientou a “imensa satisfação” de ter sido eleito pelo Conselho da ANJ para seguir no “desafio”.

— O que me estimula e dá confiança e segurança para prosseguir nessa missão, é que buscamos as decisões por consenso, sempre com vozes apaixonadas — declarou.