Banner 2
Banner 3
Banner 1

Nota de repúdio – Liberdade de expressão não justifica ataque aos direitos humanos


04/03/2026


A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), por meio da sua Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos, manifesta seu profundo repúdio ao editorial publicado pelo jornal O Estado de São Paulo no último fim de semana sobre a guerra desencadeada pelos Estados Unidos e Israel com ataques à República do Irã.

O editorial, sob o título “Ninguém vai chorar pelo Irã”, expressa a opinião dos proprietários do veículo de comunicação. Compreende-se que há limites para esta expressão quando estão em jogo vidas de inocentes, sobretudo civis, vítimas dos interesses econômicos de nações hegemônicas.

O editorial criminaliza a República do Irã, vítima do ataque inesperado, da seguinte forma: “O Irã e um estado pária, que massacra seu povo, quer a bomba para destruir Israel e financiar o terror. Se o ataque derrubar esse regime criminoso, o mundo agradecerá.” A liberdade de expressão não deve ser utilizada para justificar a defesa de ações antagônicas aos direitos humanos.

No mesmo dia, ataques das forças militares dos Estados Unidos e de Israel bombardearam um colégio feminino no sul do Irã, matando mais de 150 civis, entre os quais dezenas de estudantes.

O jornal Estado de São Paulo se orgulha de sua tradição centenária de exercício da liberdade de imprensa, sobretudo em tempos de autoritarismo, como na ditadura Vargas, e durante o regime civil-militar dos anos 1960/1970, em que esteve sob censura prévia e deu um exemplo de resistência.

A ABI, por meio desta Comissão, lamenta profundamente que a atual direção de um veículo da dimensão do Estadão tenha assumido uma posição que simplesmente ignora que vidas de inocentes foram violentamente ceifadas, comprometendo sua história em defesa dos princípios humanitários.

O jornalismo e os veículos de comunicação devem ter compromisso com a ética. Editoriais que aplaudem a violação dos direitos humanos não têm espaço em uma sociedade que se pretende democrática e tolerante com as diferenças sociais e religiosas.

Rio de Janeiro, 4 de março de 2026

Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos da ABI