18 de agosto de 2022


No aniversário da ABI, O Dia do Jornalista


07/04/2021


ABI comemora 113 anos em  debate no Dia da Imprensa

Por Vera Perfeito, diretora de Cultura e Lazer da ABI.

Hoje, 7 de abril, a Associação Brasileira de Imprensa comemora seus 113 anos, justamente no Dia da Imprensa. Nesse dia, Gustavo de Lacerda fundou a ABI, em 1908, com o objetivo de assegurar à classe jornalística os direitos assistenciais e também de se tornar um centro poderoso de ação. Foi dele a ideia de manter uma biblioteca aberta ao público, com o objetivo de atender não apenas às necessidades de informação cultural dos jornalistas, mas também a todo o povo da cidade do Rio de Janeiro.

Hoje, 21 presidentes depois, cinco jornalistas se reúnem, às 19h30, on line, para debater Jornalismo, Censura e Liberdade de Expressão. São eles os jornalistas, Paulo Jeronimo de Sousa, o Pagê, o atual presidente da ABI;  Cid Benjamin, o vice-presidente; e as jornalistas e conselheiras Cristina Serra e Regina Zappa, além da diretora de Jornalismo, Andrea Penna. Pelo canal da Associação Brasileira de Imprensa do YouTube.

O paulista de Mococa, Pagê, é jornalista desde 1962 e trabalhou em O Jornal e em O Globo, entre outros veículos de comunicação, produzindo também programas na tevês Tupi, Continental e TVE. Foi assessor de imprensa de três governadores, de um prefeito do Rio e durante 27 anos chefiou o departamento de comunicação do Bndes onde se aposentou.

O jornalista carioca Cid Benjamin foi líder estudantil nas manifestações de 1968, integrante da resistência armada à ditadura militar e um dos sequestradores do embaixador americano, Charles Elbrick. Foi exilado e viveu em Cuba e na Suécia, voltando ao Brasil, em 1979, com a lei da Anistia da qual sua mãe, Iramaya Benjamin, foi defensora.   Cid foi ainda secretário –geral do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, trabalhou em O Globo e no Jornal do Brasil e como professor de Jornalismo da Faculdade Hélio Alonso. Na sua ficha do DOPS consta que Billi, Willi e Levy, seus nomes de guerra, “é um dos mais perigosos elementos da Dissidência Estudantil da Guanabara devido a sua grande periculosidade”.

A jornalista e escritora paraense Cristina Serra trabalhou no Jornal do Brasil, Veja e Rede Globo e, atualmente, escreve para a Folha de São Paulo. É autora dos livros Tragédia em Mariana – a história do maior desastre ambiental do Brasil, A Mata Atlântica e o Mico-Leão-Dourado – uma história de conservação e do recém-lançado Entrevista.

A jornalista e escritora carioca Regina Zappa  trabalhou no Jornal do Brasil por mais de 20 anos, onde foi editora da Internacional, Política e Cultura. Tem mais de dez livros publicados, entre biografias de Chico Buarque, Gilberto Gil e Hugo Carvana, e de ficção e não-ficção. Dirigiu um documentário sobre Edu Lobo e roteirizou filmes sobre Antônio Callado e Sergio Brito.

A jornalista carioca Andrea Penna, especialista em comunicação e saúde, é mestre pela UFRJ em ciência da informação e doutoranda pela UERJ no Instituto de Medicina Social. Trabalhou na Tv Educativa, revista Visão, revista do PSOL, jornal Hora do Povo e jornal e site do PCdoB. É assessora de comunicação em saúde há 27 anos.

ABI

Após a criação da agremiação, coube à primeira Diretoria a função de consolidar e ampliar a iniciativa, não sem muita luta. Os fundadores eram tratados como indesejáveis e muitos esforços foram gastos com o objetivo de vencer o descaso de uns e a hostilidade de outros. A Associação de Imprensa era composta, segundo alguns céticos da época, por um grupo de malandros chefiados por um anarquista perigoso (Lacerda).

Os jornalistas foram aderindo à entidade e o prestígio da instituição, consolidando o sonho de Lacerda, se deu com a inscrição no quadro social da Casa de nomes representativos na vida nacional, como o Chefe da Polícia, o Comandante da Polícia Militar, o Prefeito, o Comandante do Corpo de Bombeiros e até o Ministro da Guerra.

Barbosa Lima Sobrinho  Foto: Reprodução

Outro importante ícone da história da ABI foi Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho, que lutava por ideais nacionalistas e via sua profissão como um meio de levar a população brasileira à conscientização política e social. Em 1926, aos 29 anos de idade, assumiu pela primeira vez a Presidência da Casa. Durante seu quarto mandato, em 1992, foi o responsável direto pelo pedido da abertura do impeachment de Fernando Collor de Mello e o primeiro orador inscrito para defender o processo.

Herbert Moses, Foto: Acervo ABI

Ao longo das duas primeiras décadas de sua existência — quando o Rio de Janeiro era ainda Capital da República —, a ABI acomodava-se em espaços alugados  e só nos anos 1930, sob a liderança de Herbert Moses, a ABI construiu a sua sede, que representa um marco na arquitetura moderna brasileira.

A ABI jamais deixou de cumprir os objetivos que a originaram, mas se adaptou ao longo do tempo. Seus estatutos foram ajustados às diversas situações socioeconômicas da indústria jornalística. Como disse em 1969 um ex-presidente da Casa, Fernando Segismundo, “além das finalidades fundamentais, a associação deve interpretar o pensamento, as aspirações, os reclamos, a expressão cultural e cívica de nossa imprensa; preservar a dignidade profissional dos jornalistas — e não apenas a de seus sócios; acautelar os interesses da classe; estimular entre os jornalistas o sentimento de defesa do patrimônio cultural e material da Pátria; realçar a atuação da imprensa nos fatos da nossa história; e colaborar em tudo que diga respeito ao desenvolvimento intelectual do País”.

Os Presidentes
Paulo Jeronimo, Pagê (2019 a 2022); Domingos Meirelles (2014 a 2016 até 2019); Maurício Azêdo (2004-2007 e 2007-2013); Fernando Segismundo (1977-1978 e 2000-2004); Prudente de Morais Neto (1975-1977); Líbero Osvaldo de Miranda ( 1975);  Adonias Filho (1972-1974); Danton Jobim (1966 -1972); Elmano Cruz (1966 e 1974 e 1975); Celso Kelly (1964-1966); Herbert Moses ( 1931 a 1964); Alfredo Neves (1929-1930); Manuel Paulo Filho ( 1928-1929); Gabriel Loureiro Bernardes (1927-1928);  Barbosa Lima Sobrinho (1926-1927 e 1930-1932 e 1978-2000); João Guedes de Melo (1917-1920); Raul Pedeneiras (1916-1917 e 1920-1926); Belisário de Souza (1913-1915 e 1915-1916); Dunshee de Abranches (1910-1911 e 1911-1913); Francisco Souto (1909-1910); Gustavo de Lacerda (1908-1909).

O dia do jornalista já foi comemorado no dia 10 de setembro em homenagem à Gazeta do Rio, primeiro jornal impresso no Brasil. A Gazeta, na verdade, era o jornal oficial do império. Tempos depois, o dia do jornalista passou a ser comemorado no dia 1 de junho, em homenagem ao Correio Brasiliense, o primeiro jornal a circular no Brasil. Mas ele era impresso em Londres. Após muita batalha, o dia passou para 7 de abril, em homenagem à fundação da ABI.

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