Nível de liberdade de imprensa nas Américas é o mais baixo em cinco anos


Por Igor Waltz*

16/05/2014


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A organização Freedom House divulgou seu relatório 2014 sobre a liberdade de imprensa em todo o mundo, destacando que em 2013 o nível de liberdade de imprensa no mundo foi o mais baixo em mais de uma década e a mais baixa em cinco anos para as Américas.

O relatório, intitulado “Liberdade de imprensa 2014: Uma pesquisa global da independência da mídia”, também observa que apenas 14% da população mundial tem uma imprensa considerada “livre”, que de acordo com a organização é aquela que cobre fortemente política, está a salvo de ofensas e tem pouca interferência de governos ou pressões econômicas e legais.

A cada ano, o relatório avalia o grau de liberdade de imprensa em 197 países e territórios, classificando-os em uma escala de 0 (mais livre) a 100 (menos livre) e classificando-os como livres, parcialmente livres ou não livres.

No continente americano, o Brasil ficou no grupo dos 15 países classificados como parcialmente livres. Outros 15 foram classificados como livres em 2013. O relatório aponta ainda México, Venezuela, Equador, Cuba e Honduras como países não livres.

O documento adverte que esses números são fortemente influenciados pelos “ambientes de mídia aberta” encontrados na América do Norte e em muitas nações do Caribe. Considerando só a América Latina, apenas três países foram tidos como livres e só 2% da população vive em um ambiente com liberdade de imprensa.

Apesar de uma ligeira melhora em relação à 2012, Cuba é considerado o pior na região para a liberdade de imprensa, e um dos oito países mais mal avaliados no mundo todo. Embora a mídia independente seja considerada quase inexistente ou inoperante em Cuba, menos casos de perseguição e prisões e um sistema menos rígido de vistos para deixar o país ajudaram a melhorar sua avaliação.

Na Venezuela, os esforços do governo para controlar a mídia continuaram após o Presidente Nicolás Maduro assumir a presidência depois da morte de Hugo Chávez. Vários veículos de mídia privados, incluindo a emissora de televisão crítica ao governo Globovisión, foram compradas pelo governo e perderam a independência editorial.

A nova Lei de Lei de Comunicação do Equador “colocou controles excessivos no conteúdo, e impôs obrigações onerosas aos jornalistas e meios de comunicação “, disse o relatório. A imprensa no México e em Honduras foi classificada como não livre por causa da violência e da intimidação, que a levou a autocensura na cobertura da corrupção e do crime organizado.

Apesar de ser considerado parcialmente livre, os níveis de liberdade de imprensa no Panamá declinaram após a concentração de mídia exercida pelo presidente Ricardo Martinelli e aliados e novas regulamentações por parte do governo que afetaram o conteúdo criado pelos meios de comunicação críticos.

No Paraguai, a influência política sobre a mídia estatal diminuiu, assim como o número de casos de difamação, o que fez o país passar de não livre para parcialmente livre em 2013.

Os Estados Unidos, apesar de ser considerado um país de imprensa livre e um dos melhores desempenhos nas Américas, sofreu uma piora em 2013. Em parte graças às práticas de vigilância em massa da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) reveladas pelo ex-agente da NSA Edward Snowden. Isto, junto com vários casos em que os repórteres que cobriam questões de segurança nacional foram obrigados a entregar seus materiais para o governo federal, ameaçou a capacidade dos jornalistas de proteger suas fontes.

Depois de analisar as tendências ao longo dos últimos cinco anos, o relatório também observou uma diminuição da liberdade de imprensa em regiões mais democráticas, enquanto aquelas menos democráticas mostraram uma melhoria.

O relatório foi publicado apenas alguns dias antes do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que aconteceu em 3 de maio e levou a uma série de campanhas promocionais da organizações de imprensa em todo o mundo.

* Com informações do Centro Knight para Jornalismo nas Américas. 

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